Durante o Agosto Dourado, cirurgiã plástica explica como a prótese de silicone pode influenciar o aleitamento materno e quais fatores da cirurgia merecem atenção.
Uma dúvida comum entre mulheres que colocaram prótese de silicone e planejam ter filhos é se o implante pode prejudicar a amamentação. De maneira geral, ter silicone não significa que a mulher será incapaz de amamentar. Entretanto, o resultado pode variar conforme a técnica utilizada na cirurgia e o quanto nervos, ductos e tecido mamário foram afetados.
O assunto ganha destaque durante o Agosto Dourado, período dedicado à conscientização sobre a importância do aleitamento materno. Segundo a cirurgiã plástica Cristiane Gusmão, especialista em reconstrução mamária, a maioria das mulheres submetidas apenas ao aumento das mamas com implantes pode manter a capacidade de amamentar, especialmente quando as estruturas responsáveis pela produção e condução do leite são preservadas.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) também destaca que cirurgias de aumento, redução ou levantamento das mamas podem afetar nervos e ductos e, consequentemente, interferir na lactação. A extensão desse impacto depende da técnica cirúrgica empregada.
Quem tem silicone pode amamentar?
Sim, muitas mulheres com silicone conseguem amamentar. A presença do implante mamário, isoladamente, não determina se haverá ou não sucesso no aleitamento. A FDA ressalta que algumas mulheres submetidas à mamoplastia de aumento conseguem amamentar normalmente, enquanto outras podem apresentar dificuldades.
Segundo Cristiane Gusmão, quando a cirurgia envolve apenas a colocação da prótese, sem alterações significativas na glândula mamária, as chances de preservar a capacidade de amamentação são maiores.
O principal fator é a manutenção dos ductos mamários, da glândula e da inervação do mamilo. Cirurgias mais extensas, como determinadas técnicas de redução ou levantamento das mamas, podem aumentar o risco de interferência na produção ou na saída do leite. O CDC também aponta que incisões ao redor da aréola podem ter maior impacto nos nervos e ductos envolvidos na lactação.
É preciso retirar o silicone para amamentar?
Não. Em condições habituais, não é necessário retirar a prótese de silicone para iniciar a amamentação.
O implante permanece no local em que foi colocado durante a gestação e o período de lactação. A capacidade de produzir leite está mais relacionada aos tecidos mamários e às estruturas preservadas durante a cirurgia do que simplesmente à presença do implante.
Silicone pode diminuir a produção de leite?
Ter implantes não significa necessariamente produzir menos leite, mas algumas cirurgias mamárias podem reduzir a produção.
Isso pode ocorrer quando o procedimento provoca lesões ou alterações nos ductos responsáveis pelo transporte do leite ou nos nervos importantes para a resposta da mama durante a amamentação.
Por isso, duas mulheres com próteses semelhantes podem ter experiências diferentes durante o aleitamento, dependendo da cirurgia realizada e de outros fatores individuais.
A prótese pode romper durante a gravidez?
O crescimento das mamas é uma das transformações naturais da gravidez. A especialista explica que essa mudança de volume, por si só, não significa que o implante irá romper.
Ainda assim, próteses mamárias não são dispositivos permanentes e podem apresentar complicações ao longo do tempo, incluindo ruptura. Por isso, o acompanhamento médico continua sendo importante para mulheres com implantes.
O silicone altera a qualidade do leite materno?
Não há evidência estabelecida de que mulheres com implantes produzam um leite nutricionalmente inadequado apenas por causa da prótese.
Um estudo que comparou mulheres com e sem implantes de silicone não encontrou diferença significativa nos níveis de silício medidos no leite materno entre os grupos.
A documentação da FDA, porém, registra que não está totalmente esclarecido se pequenas quantidades de silicone podem atravessar a estrutura do implante e chegar ao leite materno.
Como ficam as mamas com silicone depois da gravidez?
A gravidez e a amamentação podem alterar o formato das mamas, independentemente da presença de próteses.
Segundo Cristiane Gusmão, o implante geralmente permanece na posição em que foi colocado, enquanto os tecidos ao redor podem passar por transformações provocadas por alterações hormonais, ganho e perda de peso e aumento e redução do volume mamário.
Essas mudanças podem favorecer perda de volume, flacidez ou alterações no posicionamento das mamas.
A pega do bebê muda para quem tem silicone?
De acordo com a especialista, o implante não interfere diretamente na pega do bebê durante a amamentação.
Eventuais dificuldades podem estar relacionadas a diferentes fatores, como anatomia da mama e do mamilo, técnica utilizada durante o aleitamento e características do próprio bebê.
Caso existam problemas persistentes para amamentar ou preocupação com a quantidade de leite produzida, a avaliação de profissionais de saúde pode ajudar a identificar a causa e orientar a mãe. O CDC recomenda acompanhamento cuidadoso da produção de leite em mulheres que passaram por cirurgias mamárias.
Como fica o silicone após a amamentação?
Na maioria das vezes, as transformações percebidas depois da amamentação estão relacionadas principalmente ao tecido mamário ao redor do implante, e não necessariamente à prótese.
Pode ocorrer perda de volume, flacidez ou alteração no formato das mamas, fazendo com que algumas mulheres procurem uma avaliação para eventual cirurgia estética depois do fim da lactação.
Para Cristiane Gusmão, o aspecto mais importante para mulheres que desejam colocar silicone e pretendem amamentar futuramente é conversar previamente com o cirurgião sobre a técnica escolhida e a preservação da glândula mamária, dos ductos e da sensibilidade do mamilo.
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Com informações de gshow