Duque de Sussex encerra participação no conselho da ONG ambiental após dez anos; organização reconheceu casos de violações de direitos humanos cometidas por guardas na República do Congo
O príncipe Harry deixou o conselho administrativo da African Parks, organização dedicada à conservação ambiental na África. A saída ocorre após uma década de atuação e em meio à repercussão de denúncias de abusos contra comunidades locais envolvendo guardas ligados à ONG na República do Congo.
A African Parks anunciou uma renovação em sua estrutura de governança e confirmou que Harry encerrará sua participação após dez anos de vínculo com a instituição. A organização afirmou que a mudança faz parte de uma atualização de seu conselho administrativo.
As denúncias que cercam a entidade envolvem moradores da comunidade indígena Baka, que vive nas proximidades do Parque Nacional de Odzala-Kokoua, no norte da República do Congo. Relatos divulgados nos últimos anos apontaram casos de violência física, tortura e violência sexual atribuídos a guardas que atuavam na área protegida.
African Parks reconheceu casos de abusos
As acusações ganharam repercussão internacional e levaram a African Parks a contratar uma investigação independente conduzida pela Omnia Strategy LLP, com participação de especialistas em direitos humanos.
Em maio de 2025, após a conclusão da apuração, a própria organização reconheceu que violações de direitos humanos ocorreram em alguns dos episódios investigados e lamentou o sofrimento causado às vítimas.
As denúncias envolviam guardas que atuavam no Parque Nacional de Odzala-Kokoua e tinham como vítimas integrantes de comunidades locais e povos indígenas.
A African Parks já havia informado, em 2024, que tinha conhecimento de graves acusações contra os chamados ecoguardas e que uma investigação externa havia sido aberta para analisar os relatos.
Posteriormente, a organização informou ter adotado medidas disciplinares contra funcionários identificados durante a investigação. Em atualização divulgada no fim de 2025, a entidade afirmou ter concluído o desligamento de oito ecoguardas relacionados aos casos apurados.
Harry encerra participação após dez anos
Apesar da repercussão do caso, a African Parks não apresentou a saída do príncipe Harry como consequência direta das denúncias. A organização afirmou que a decisão ocorreu em comum acordo e faz parte de uma renovação considerada rotineira em sua estrutura de governança.
Por meio de seu porta-voz, Harry afirmou estar orgulhoso do período de aproximadamente dez anos dedicado à instituição e declarou apoio às mudanças realizadas no conselho.
O duque de Sussex também indicou que pretende continuar envolvido com iniciativas de conservação ambiental no continente africano, mesmo sem ocupar uma função oficial na African Parks.
O que é a African Parks?
A African Parks é uma organização sem fins lucrativos voltada à administração e conservação de áreas protegidas no continente africano. A instituição mantém operações em diferentes países e trabalha em parceria com governos na preservação de ecossistemas e da vida selvagem.
Harry manteve relação de longa duração com a ONG antes de integrar seu conselho administrativo. Agora, a entidade passa por mudanças em sua direção, incluindo a chegada de novos integrantes ao conselho.
O episódio envolvendo o Parque Nacional de Odzala-Kokoua também ampliou o debate sobre a necessidade de conciliar projetos de preservação ambiental com a proteção dos direitos humanos das comunidades tradicionais que vivem em áreas próximas ou dentro de territórios destinados à conservação.
Foto: Reuters/Isabel Infantes