USS Abraham Lincoln participou de operações no Oriente Médio e chega ao país asiático em meio a relatos de tentativas de suicídio, falta de suprimentos e desgaste da tripulação
O porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln, da Marinha dos Estados Unidos, chegou nesta quarta-feira (2) ao porto de Laem Chabang, na Tailândia, após permanecer 286 dias em missão.
A embarcação, que transporta cerca de 5 mil marinheiros e fuzileiros navais, passou por um longo período de operações no Oriente Médio e participou de ações militares relacionadas ao conflito contra o Irã.
A chegada à Tailândia ocorre em meio a preocupações nos Estados Unidos sobre as condições enfrentadas pela tripulação durante a missão prolongada, incluindo relatos de problemas de saúde mental, tentativas de suicídio e escassez de suprimentos.
USS Abraham Lincoln deixou os EUA em novembro de 2025
O USS Abraham Lincoln partiu da Califórnia em novembro de 2025 inicialmente para uma missão no Mar da China Meridional.
Posteriormente, o porta-aviões foi direcionado ao Oriente Médio antes das operações militares realizadas por Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Durante o período na região, a embarcação participou do bloqueio naval norte-americano e de outras ações de combate.
Segundo parlamentares democratas, o navio teria alcançado um dos maiores períodos consecutivos de operação no mar registrados pela Marinha norte-americana em tempos recentes.
Em condições normais, as missões operacionais da Marinha dos EUA costumam durar de seis a nove meses, mas podem ser prolongadas em situações de conflito.
Relatos apontam problemas de saúde mental a bordo
A duração da missão passou a gerar questionamentos após surgirem relatos sobre a deterioração das condições enfrentadas pelos militares.
Entre as principais preocupações estavam problemas de saúde mental entre os tripulantes, além de falta de determinados alimentos e produtos de higiene.
A publicação especializada Navy Times relatou que pelo menos dois marinheiros teriam tentado suicídio ao pular no mar durante a missão.
Os episódios aumentaram a pressão para que as condições a bordo do porta-aviões fossem investigadas.
O secretário adjunto interino da Marinha, Hung Cao, reconheceu a existência de um pequeno número de atendimentos relacionados à saúde mental, mas afirmou que não houve mortes.
Parlamentares pedem investigação sobre condições no porta-aviões
Integrantes do Partido Democrata passaram a cobrar esclarecimentos sobre a duração da missão e o impacto das operações sobre os militares.
Os relatos ganharam repercussão nos Estados Unidos e também ampliaram as críticas relacionadas à participação norte-americana no conflito com o Irã.
O presidente Donald Trump, por outro lado, minimizou os questionamentos relacionados às ocorrências de saúde mental e ao período prolongado em que o USS Abraham Lincoln permaneceu no mar.
Porta-aviões ficará cinco dias na Tailândia
O USS Abraham Lincoln fará uma parada de cinco dias na Tailândia para descanso da tripulação, recuperação e apoio logístico.
O porta-aviões chegou acompanhado por outras embarcações da Marinha dos Estados Unidos. Entre elas está o destroier lança-mísseis USS Frank E. Petersen Jr., que atracou em Si Racha.
A Tailândia mantém uma histórica relação militar com Washington. O país tornou-se aliado dos Estados Unidos por tratado em 1954 e foi reconhecido como importante aliado extra-Otan em 2003.
As forças militares das duas nações realizam exercícios conjuntos regularmente.
Autoridades tailandesas destacaram que a escala do porta-aviões não possui relação direta com o conflito no Oriente Médio e tem caráter logístico.
Chegada de militares deve movimentar economia de Pattaya
A presença de milhares de militares norte-americanos também deve gerar impacto econômico na região de Pattaya, cidade turística localizada próxima ao porto.
A expectativa das autoridades locais é de uma movimentação de aproximadamente 100 milhões de bahts, equivalente a cerca de US$ 3,1 milhões.
Cerca de 600 agentes foram mobilizados para reforçar a segurança durante a permanência da tripulação na região.
As autoridades locais também estabeleceram restrições aos militares durante a visita, incluindo limitações de acesso a determinadas áreas conhecidas pela vida noturna e proibição da prática de esportes aquáticos.
A orientação é que os visitantes priorizem centros comerciais, pontos turísticos e locais de interesse religioso durante o período de descanso.
Foto: Divulgação/Exército dos Estados Unidos