Programação gratuita no Museu das Amazônias, em Belém, terá exibição de documentário inédito sobre o Marajó, debate sobre justiça climática e oficina de fotografia nesta sexta-feira (21)
As mudanças climáticas no Marajó, seus impactos sobre comunidades tradicionais e a relação entre território, memória e modos de vida estarão no centro da próxima edição do Vivências MAZ, promovida pelo Museu das Amazônias (MAZ). A programação gratuita acontece nesta sexta-feira, 21 de agosto, a partir das 14h, no Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, no Complexo Porto Futuro, em Belém.
O evento terá a exibição do documentário inédito “Águas que Movem: Ilha do Marajó”, seguida de um debate sobre justiça climática na Amazônia. A programação será encerrada com a oficina de fotografia “A Segunda Imagem”, ministrada pelo fotógrafo paraense Márcio Nagano.
Documentário mostra impactos das mudanças climáticas no Marajó
O documentário “Águas que Movem: Ilha do Marajó” retrata como as transformações ambientais afetam o cotidiano de uma comunidade de Soure, no arquipélago do Marajó. A produção aborda a relação dos moradores com a água, o território e as mudanças provocadas pela emergência climática.
O filme é resultado de uma cooperação internacional entre o Museu das Amazônias, o Museu do Amanhã, do Rio de Janeiro, e o Science Museum, de Londres, com apoio do British Council.
Mais do que apresentar as alterações ambientais vivenciadas na região, a produção coloca em evidência as experiências e os conhecimentos de pessoas que vivem em territórios diretamente afetados pela crise climática na Amazônia.
Após a exibição, o público poderá participar de uma conversa que aproxima cinema, ciência e saberes tradicionais, com discussões sobre a preservação dos modos de vida amazônicos e o papel dos museus na conscientização sobre as mudanças do clima.
Debate reúne especialistas e liderança comunitária do Marajó
O debate contará com a participação da jornalista e especialista em comunicação científica na Amazônia Alice Martins; da curadora do Museu das Amazônias, bióloga e pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental Joice Ferreira; e de Julia Maria, liderança comunitária da Vila do Pesqueiro, em Soure.
Julia atua há dez anos no enfrentamento aos efeitos da erosão costeira no Marajó, fenômeno que afeta comunidades e modifica a dinâmica de diferentes áreas da ilha.
A mediação será feita por Erêndira Oliveira, arqueóloga do Museu Paraense Emílio Goeldi e integrante da comissão curatorial do MAZ.
Segundo Gabriele Martins, coordenadora de programação do Museu das Amazônias, a proposta é aproximar o público das experiências das populações que já convivem diretamente com os efeitos das mudanças ambientais.
“Ao exibir este filme e abrir espaço para o diálogo, queremos aproximar o público das histórias, dos desafios e dos saberes das comunidades amazônicas. É uma oportunidade de compreender que a crise climática não é um tema distante — ela já transforma territórios, vidas e relações com a natureza, e exige escuta, conhecimento e ação coletiva”, afirma.
Oficina de fotografia propõe experiência de encontro e escuta
A programação continua às 16h com a oficina gratuita “A Segunda Imagem”, conduzida pelo fotógrafo paraense Márcio Nagano. A atividade propõe uma experiência que une fotografia, memória e escuta.
Os participantes serão organizados em duplas e, inicialmente, deverão produzir retratos uns dos outros sem qualquer interação prévia. Depois, uma entrevista guiada permitirá que cada pessoa conheça histórias, lembranças e vínculos do parceiro com lugares importantes de sua trajetória.
Ao final da experiência, um segundo retrato será produzido. A proposta é comparar as imagens e perceber como o conhecimento sobre o outro, a aproximação e a escuta podem modificar a forma como cada pessoa é retratada.
A oficina também pretende estimular uma reflexão sobre maneiras mais éticas e sensíveis de registrar pessoas, comunidades e territórios amazônicos, principalmente em regiões atingidas pelos impactos das mudanças climáticas.
Serviço — Vivências MAZ
O quê: exibição do documentário “Águas que Movem: Ilha do Marajó”, debate sobre justiça climática e oficina “A Segunda Imagem”
Data: sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Horário: a partir das 14h
Local: Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, Complexo Porto Futuro, em Belém (PA)
Entrada: gratuita