Paysandu acumula dívida de R$ 71 milhões e detalha recuperação judicial em edital publicado pelo TJPA

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Documento divulgado pela Justiça do Pará revela lista de credores, prazo para contestações e plano de reestruturação financeira do clube

O Paysandu Sport Club teve exposto oficialmente o tamanho de sua crise financeira após a publicação do edital de credores da recuperação judicial pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA). O documento, divulgado pela 12ª Vara Cível e Empresarial de Belém na última terça-feira (5), aponta que o clube paraense possui um passivo total que ultrapassa R$ 71 milhões.

A publicação representa uma nova etapa do processo de recuperação judicial do Paysandu e detalha quem são os credores, os valores envolvidos e os próximos passos da tentativa de reorganização financeira do clube.

Recuperação judicial do Paysandu reúne 123 credores

Segundo o edital, a recuperação judicial do Paysandu reúne 123 credores divididos em diferentes categorias previstas na legislação brasileira.

A maior parte está concentrada na classe trabalhista, com 102 credores entre ex-jogadores, funcionários e prestadores de serviço. Os débitos dessa categoria somam aproximadamente R$ 2,98 milhões, com valores que variam de pequenas quantias até cifras mais elevadas ligadas a contratos esportivos.

Já os chamados credores quirografários — aqueles sem garantia — concentram cerca de R$ 12,86 milhões. Apesar do número reduzido de credores nessa categoria, apenas nove, um único nome chama atenção: o ex-presidente Roger Aguilera aparece como responsável por mais de R$ 12,3 milhões em créditos.

As micro e pequenas empresas também aparecem no edital, totalizando 12 credores e aproximadamente R$ 989 mil em valores a receber.

Dívida tributária do Paysandu ultrapassa R$ 55 milhões

Além das dívidas incluídas na recuperação judicial, o documento revela outro dado que preocupa a diretoria do clube: uma dívida tributária estimada em R$ 55 milhões.

Os débitos fiscais estão vinculados à União, ao Estado do Pará e ao Município de Belém. Pela legislação, essas obrigações não entram no processo de recuperação judicial, obrigando o Paysandu a negociar separadamente formas de regularização fiscal.

Somando os valores sujeitos à recuperação judicial e os passivos tributários, a dívida total do clube chega a cerca de R$ 71 milhões.

Edital abre prazo para contestação de valores

Com a publicação do edital no Diário da Justiça Eletrônico, foi aberto um prazo de 15 dias para que credores apresentem habilitações ou contestem os valores listados.

O procedimento deve ser realizado diretamente junto à administradora judicial por meio eletrônico. Credores que não aparecem na lista ainda poderão solicitar inclusão, mas o pedido será tratado como habilitação retardatária, em processo separado e sujeito a custos adicionais.

A Justiça também manteve o caráter público da recuperação judicial após rejeitar pedidos de sigilo no processo.

Paysandu propõe descontos e parcelamentos no plano de recuperação

O plano de recuperação judicial apresentado pelo Paysandu prevê cortes expressivos nas dívidas e prazos longos para pagamento.

Para credores quirografários e microempresas, a proposta estabelece desconto de 85% sobre os débitos, com pagamento de apenas 15% do valor original. O clube também solicita carência de 36 meses antes do início dos pagamentos e parcelamento em até 120 meses.

Já os credores trabalhistas terão prioridade, mas também enfrentarão redução nos valores. O plano prevê pagamento em até 12 meses, com desconto de 50% sobre as dívidas reconhecidas.

Segundo o documento, o clube pretende equilibrar o fluxo de caixa por meio de renegociação de contratos, venda de ativos e mecanismos financeiros alternativos, como dação em pagamento.

Aprovação dos credores ainda será decisiva

Apesar da apresentação do plano, a recuperação judicial do Paysandu ainda depende da aprovação dos credores em assembleia.

Os credores poderão aceitar, rejeitar ou propor alterações nas condições apresentadas pelo clube. Diante dos altos descontos e dos longos prazos de pagamento, a expectativa é de negociações intensas nas próximas etapas do processo.

Com a divulgação do edital e o avanço da recuperação judicial, o futuro financeiro do Paysandu passa agora a depender diretamente das negociações entre clube, Justiça e credores.

Foto: Pedro Cruz

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