Morreu nesta terça-feira (8), aos 74 anos, em Belém, Zélia Amador de Deus, professora, escritora, atriz, diretora de teatro e uma das principais referências do movimento negro no Pará. Professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1978, ela construiu uma trajetória ligada à educação, às artes, à pesquisa e à defesa dos direitos da população negra e das comunidades quilombolas.
Natural de Salvaterra, no arquipélago do Marajó, Zélia ingressou no curso de Letras da UFPA em 1971. Ao longo de mais de cinco décadas, acompanhou e participou de importantes transformações da universidade, onde também ocupou cargos de gestão. Entre 1993 e 1997, foi vice-reitora da UFPA.
A trajetória de Zélia também foi marcada pelo teatro. Nos anos 1970, participou de espetáculos como atriz e, em 1976, esteve entre as fundadoras da Companhia de Teatro Cena Aberta, ao lado de Margareth Refkalefsky e Walter Bandeira. A atuação artística permaneceu ligada à sua vida acadêmica e política.
Atuação no movimento negro
Em 1980, Zélia esteve entre as fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), organização que se tornou uma referência do movimento negro na Amazônia. Sua atuação também esteve ligada à defesa das comunidades quilombolas, às políticas de ação afirmativa e à luta contra o racismo.
Em 2001, participou da representação brasileira na III Conferência Mundial contra o Racismo, realizada em Durban, na África do Sul. Na UFPA, também participou da criação do Grupo de Estudos Afro-Amazônicos (GEAM) e das discussões relacionadas à adoção de políticas de reserva de vagas.
Em entrevista ao Jornal Beira do Rio, em 2020, Zélia destacou a transformação provocada pelas políticas de ação afirmativa na universidade: “Não tenho dúvida de que as políticas de ação afirmativa mudaram o perfil da UFPA”.