Município aparece na 133ª posição nos Anos Iniciais e na 126ª nos Anos Finais em levantamento sobre evolução educacional no Pará; resultado contrasta com discurso de “outro patamar” defendido pela antiga gestão.
Os indicadores do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) colocam sob questionamento o discurso de avanço da educação municipal durante a gestão do ex-prefeito Daniel Santos, em Ananindeua. De acordo com os dados apresentados no levantamento sobre a evolução do ensino nos 144 municípios paraenses, a cidade aparece entre as últimas colocações do estado.
Nos Anos Iniciais, Ananindeua ocupa a 133ª posição no ranking de evolução. Já nos Anos Finais, o município aparece em 126º lugar.
Os resultados contrastam com a narrativa adotada durante a antiga administração municipal, que utilizava o slogan de que Ananindeua havia alcançado um “outro patamar”. Quando o foco deixa de ser apenas a nota absoluta e passa para a evolução dos indicadores ao longo dos ciclos de avaliação, entretanto, o desempenho da rede municipal apresenta um cenário bem menos favorável.
Evolução do Ideb contrasta com propaganda da antiga gestão
Durante a gestão de Daniel Santos, resultados pontuais da educação foram utilizados como demonstração de avanço da rede municipal. Uma análise da evolução dos indicadores, porém, apresenta outro panorama.
Avaliar somente a posição ou a nota obtida em determinado ano pode não revelar, isoladamente, o impacto efetivo de uma administração sobre a aprendizagem. Para analisar a evolução de uma rede pública, também é necessário observar quanto ela avançou ou recuou ao longo do período.
Nesse critério, Ananindeua aparece em situação desfavorável diante da maioria dos municípios paraenses.
Os dados apontados no levantamento indicam dificuldades de crescimento nos últimos ciclos avaliados, colocando em dúvida a ideia de uma transformação estrutural na educação municipal durante a antiga administração.
Ananindeua fica perto do fim do ranking de evolução
A posição de Ananindeua chama atenção principalmente pelo tamanho e pela importância do município na Região Metropolitana de Belém.
Com uma das maiores populações do Pará e uma extensa rede municipal de ensino, seria esperado que investimentos, planejamento pedagógico e estrutura administrativa fossem convertidos em crescimento consistente dos indicadores educacionais.
No entanto, a 133ª colocação nos Anos Iniciais significa que apenas uma pequena parcela dos municípios paraenses apresentou evolução inferior à registrada por Ananindeua dentro do recorte analisado.
Nos Anos Finais, a situação também é preocupante: a cidade ocupa a 126ª posição entre os 144 municípios do Pará.
O desempenho evidencia uma diferença significativa entre a imagem construída pela comunicação política da antiga gestão e a evolução efetivamente apresentada pelos indicadores educacionais.
“Outro patamar” é colocado em dúvida pelos números
A expressão “outro patamar” tornou-se uma das principais marcas políticas associadas à administração de Daniel Santos. Na educação, porém, os resultados apresentados pelo Ideb levantam dúvidas sobre a dimensão dos avanços anunciados.
Enquanto municípios do interior conseguiram melhorar seus indicadores de aprendizagem ao longo das avaliações, Ananindeua aparece próxima das últimas posições quando o critério considerado é justamente a capacidade de evolução.
A situação reforça a necessidade de analisar políticas públicas para além de campanhas publicitárias, inaugurações ou resultados isolados. Na educação, o principal parâmetro continua sendo a capacidade de fazer os estudantes aprenderem mais e de garantir que a rede avance ao longo dos anos.
Diante dos números apresentados, o legado educacional da antiga gestão passa a ser confrontado por uma realidade menos favorável do que aquela apresentada no discurso oficial.
Para estudantes, professores e famílias da rede pública de Ananindeua, os indicadores deixam uma pergunta que a propaganda, sozinha, não consegue responder: se a educação estava em “outro patamar”, por que o município aparece tão próximo do fim do ranking de evolução no Pará?