Fifa reduz valor de direitos de transmissão da Copa na China e enfrenta impasse na Índia
Entidade fecha acordo com desconto milionário para transmitir a Copa na China, mas ainda enfrenta dificuldades para vender os direitos do Mundial de 2026 no mercado indiano.
A Fifa fechou um acordo de transmissão da Copa do Mundo de 2026 na China após reduzir de forma significativa o valor pretendido pelos direitos do torneio no país asiático. O contrato foi firmado com o China Media Group (CMG), grupo estatal que controla a CCTV, e inclui a transmissão das Copas masculinas de 2026 e 2030, além das Copas do Mundo Femininas de 2027 e 2031.
Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, a Fifa chegou a buscar cerca de US$ 300 milhões pelos direitos da Copa de 2026 na China, mas o valor final informado para o torneio ficou em torno de US$ 60 milhões. A redução evidencia a resistência de grandes mercados asiáticos ao pacote comercial da entidade, mesmo com a expansão do Mundial para 48 seleções.
China endurece negociação com a Fifa
A negociação com a China se tornou um dos principais desafios comerciais da Fifa antes da Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México a partir de 11 de junho. O torneio terá novo formato, com 48 seleções e mais partidas, mas isso não foi suficiente para sustentar o valor inicialmente desejado pela entidade no mercado chinês.
Um dos fatores que pesaram contra a Fifa foi o fuso horário. Como boa parte dos jogos será realizada durante a madrugada na China, a expectativa de audiência ficou mais incerta para emissoras e plataformas locais. Além disso, a seleção chinesa não está classificada para o Mundial, o que também reduz o apelo comercial da competição no país.
Acordo garante transmissão da Copa na China
Com o acordo, o China Media Group terá os direitos de transmissão da Copa no território chinês em diferentes plataformas, incluindo TV, internet e dispositivos móveis. A confirmação encerra um impasse que preocupava a Fifa a poucas semanas do início do Mundial.
A China é considerada estratégica para a entidade, tanto pelo tamanho do mercado consumidor quanto pela presença de marcas chinesas entre os patrocinadores da Fifa, como Lenovo, Mengniu e Hisense. Sem transmissão oficial no país, o torneio poderia perder força comercial em uma das maiores audiências potenciais do mundo.
Índia ainda preocupa a Fifa
Enquanto a situação na China foi resolvida, a Índia segue como um problema para a Fifa. As negociações pelos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026 no país continuam sem acordo confirmado, mesmo com a proximidade do início do torneio.
A Fifa esperava arrecadar entre US$ 60 milhões e US$ 100 milhões no mercado indiano, mas a oferta da joint venture Reliance-Disney, ligada à JioStar, teria ficado em torno de US$ 20 milhões. A Sony também chegou a avaliar o negócio, mas não avançou com uma proposta, segundo a Reuters.
Horário dos jogos e força do críquete reduzem interesse
Na Índia, o futebol enfrenta outro obstáculo: a preferência nacional pelo críquete. Além disso, os horários da Copa de 2026, realizada na América do Norte, tornam a transmissão menos atrativa para emissoras locais.
Com grande parte das partidas previstas para horários noturnos ou de madrugada no país, empresas de mídia temem audiência mais baixa e menor retorno publicitário. Esse cenário dificulta a venda dos direitos por valores próximos aos pretendidos pela Fifa.
YouTube e streaming surgem como alternativas
Diante do impasse, plataformas digitais aparecem como possíveis caminhos para ampliar a distribuição da Copa. Em março, a Fifa anunciou o YouTube como “plataforma preferencial” para o Mundial de 2026, mas isso não significa, automaticamente, que a plataforma tenha os direitos integrais de transmissão em todos os países.
No caso da Índia, ainda não há confirmação oficial de acordo envolvendo YouTube, Amazon Prime Video, JioStar, Sony ou a emissora pública Prasar Bharati.
Expansão da Copa passa por teste comercial
A ampliação da Copa do Mundo para 48 seleções foi apresentada pela Fifa como uma forma de aumentar o alcance global do torneio e abrir novas oportunidades comerciais. No entanto, as negociações na China e na Índia mostram que o tamanho da competição, sozinho, não garante maior valorização dos direitos de transmissão.
A resistência de grandes mercados asiáticos revela que fatores como fuso horário, interesse local, tradição das seleções participantes e retorno comercial seguem decisivos para emissoras e plataformas. A poucos dias do início da Copa, a Fifa ainda tenta transformar o Mundial expandido em um produto globalmente mais rentável.
Foto: Reprodução/Instagram @TheWhiteHouse