Candidato de direita aparece à frente no preconteo da eleição presidencial colombiana; resultado ainda depende de escrutínio oficial
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parabenizou nesta segunda-feira (22) Abelardo de la Espriella, candidato de direita apontado como vencedor da eleição presidencial na Colômbia segundo a contagem preliminar divulgada após o segundo turno de domingo (21).
Conhecido como “El Tigre”, De La Espriella derrotou o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado do atual presidente colombiano, Gustavo Petro, em uma disputa apertada. O resultado, no entanto, ainda precisa ser confirmado pelo escrutínio oficial, etapa final de verificação conduzida pelas autoridades eleitorais colombianas.
Trump fala em fortalecer relação entre EUA e Colômbia
Durante a campanha, Donald Trump declarou apoio público a Abelardo de la Espriella, gesto que ampliou a repercussão internacional da eleição colombiana. Após o resultado preliminar, o presidente norte-americano voltou a se manifestar e afirmou esperar trabalhar com o colombiano para construir uma relação mais forte entre os dois países.
A aproximação entre Estados Unidos e Colômbia foi um dos pontos observados na reta final da disputa, especialmente pelo contraste político entre Trump e Gustavo Petro, que apoiava a candidatura de Iván Cepeda.
Segundo De La Espriella, os dois chegaram a conversar em particular ainda no domingo, minutos depois de o candidato colombiano aparecer à frente na apuração preliminar.
Eleição na Colômbia foi marcada por disputa apertada
De acordo com os dados do preconteo, como é chamada a apuração preliminar na Colômbia, Abelardo de la Espriella superou Iván Cepeda por menos de 250 mil votos.
A última atualização apontava 12.944.441 votos para De La Espriella e 12.697.154 para Cepeda. A margem estreita reforçou o clima de cautela até a conclusão do escrutínio, procedimento que oficializa o resultado eleitoral no país.
Nas redes sociais, o presidente Gustavo Petro pediu tranquilidade à população e afirmou que nenhum presidente deve ser proclamado antes da conclusão da verificação oficial.
Resultado pode marcar guinada política na Colômbia
A possível vitória de Abelardo de la Espriella representa uma mudança importante no cenário político colombiano após o governo de Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história recente da Colômbia.
De La Espriella fez campanha com discurso de fortalecimento da segurança pública, endurecimento contra o crime organizado e maior aproximação com os Estados Unidos. Já Iván Cepeda defendia a continuidade de políticas associadas ao atual governo colombiano.
A disputa também foi interpretada como uma queda de braço política entre Gustavo Petro e Donald Trump, que se posicionaram em lados opostos no segundo turno.
Repercussão internacional da vitória preliminar
A vantagem de De La Espriella no preconteo gerou manifestações de lideranças políticas da América Latina e dos Estados Unidos. Entre os nomes que parabenizaram o candidato colombiano estão o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente do Equador, Daniel Noboa, o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe Vélez, a opositora venezuelana María Corina Machado e o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio.
No Brasil, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, também publicou mensagem em apoio a De La Espriella.
Conselho eleitoral relata votação tranquila
O Conselho Nacional Eleitoral da Colômbia informou que a votação ocorreu de forma tranquila e sem grandes incidentes. O processo contou com observadores internacionais, incluindo representantes da Organização dos Estados Americanos e da União Europeia.
Apesar disso, a proximidade entre os candidatos levou aliados de Iván Cepeda a defenderem uma revisão minuciosa das atas eleitorais. O próprio Cepeda afirmou que respeitará o resultado, mas defendeu uma supervisão rigorosa da apuração.
América Latina observa avanço de governos de direita
Caso o resultado seja confirmado, a vitória de Abelardo de la Espriella reforçará a presença de lideranças de direita na América Latina. O movimento ocorre em meio a mudanças políticas recentes em países da região, como Argentina, Chile, Bolívia e Equador.
Na Colômbia, a posse presidencial está prevista para ocorrer após a conclusão do calendário institucional, caso o resultado preliminar seja confirmado pelas autoridades eleitorais.
Foto: Jaime Saldarriaga/AFP/Evelyn Hockstein/REUTERS