Trump ameaça países após decisão da Suprema Corte sobre tarifas e promete taxas mais altas

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (23) que países que tentarem “brincar” com a decisão da Supreme Court of the United States enfrentarão tarifas mais altas do que as anteriormente impostas.

A declaração foi feita após a Suprema Corte derrubar o chamado tarifaço de Trump, aumentando a tensão no cenário do comércio internacional e reacendendo incertezas sobre acordos firmados com os Estados Unidos.


Trump reage à decisão da Suprema Corte sobre tarifas

Em publicação na rede Truth Social, Trump criticou a decisão do tribunal e afirmou que países que tenham explorado os EUA poderão sofrer novas sanções comerciais.

Segundo ele, qualquer nação que tente se beneficiar da decisão judicial enfrentará “tarifas muito mais altas e piores” do que as anteriormente aceitas.

Na última semana, a Suprema Corte decidiu que as tarifas impostas por Trump com base em uma lei de emergência nacional eram ilegais. Para a maioria dos ministros, o presidente extrapolou sua autoridade ao aplicar as taxas sem autorização clara do Congresso.


O que decidiu a Suprema Corte dos EUA?

A decisão foi anunciada na sexta-feira (20). Por 6 votos a 3, a maioria concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não permite ao presidente criar tarifas de forma unilateral.

Trump defendia que a legislação de 1977 autorizava a adoção de medidas tarifárias em situações excepcionais. No entanto, o presidente da Corte, John Roberts, relator do caso, afirmou que qualquer medida desse tipo exige autorização explícita do Congresso.

A decisão atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, consideradas o núcleo da estratégia comercial do governo. Outras tarifas já em vigor — como as aplicadas sobre aço, alumínio e fentanil — permanecem válidas.


Trump anuncia nova tarifa global de 15%

Mesmo após a decisão judicial, Trump anunciou que pretende elevar as tarifas globais de importação para 15%, argumentando que a medida busca corrigir décadas de práticas comerciais consideradas injustas.

O posicionamento do presidente amplia o clima de incerteza entre parceiros comerciais e investidores internacionais.


União Europeia adia votação de acordo comercial com os EUA

Diante das indefinições sobre o tarifaço dos EUA e da nova taxa de 15%, o Parlamento Europeu decidiu adiar a votação do acordo comercial com os Estados Unidos.

O entendimento envolve a eliminação de tarifas da União Europeia sobre produtos norte-americanos, medida considerada parte central do acordo firmado anteriormente entre as partes.

Parlamentares europeus criticam o que classificam como um acordo desigual, já que a UE reduziria a maioria das taxas enquanto os EUA manteriam uma tarifa ampla de 15%.

Além disso, houve protestos anteriores relacionados às exigências de Trump envolvendo a Groenlândia e ameaças de tarifas adicionais contra aliados europeus.


Impacto global da decisão sobre o tarifaço

A decisão da Suprema Corte e a resposta de Trump ampliam a instabilidade no comércio global. Países com acordos já assinados ou em negociação aguardam definições claras sobre o alcance das novas medidas.

Especialistas avaliam que o embate entre Executivo e Judiciário nos Estados Unidos pode ter reflexos diretos nas relações comerciais internacionais e na política econômica global.

Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

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