Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, líder da direita peruana chega ao poder depois de três derrotas presidenciais e em meio a um país marcado por polarização, crise política e preocupação com a segurança pública
A presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, chega ao comando do país após vencer uma das disputas eleitorais mais apertadas da história recente peruana. Líder do partido Força Popular, a candidata de direita derrotou Roberto Sánchez no segundo turno e se prepara para assumir a Casa de Pizarro, sede do Executivo peruano.
Segundo a apuração oficial, Keiko Fujimori venceu a eleição presidencial no Peru com 50,135% dos votos, contra 49,865% de Sánchez. A diferença estreita reforça o cenário de divisão política em um país que vive sucessivas crises institucionais nos últimos anos.
Keiko Fujimori chega à Presidência após três derrotas eleitorais
A vitória marca o fim de uma longa trajetória de tentativas presidenciais. Antes de ser eleita, Keiko Fujimori havia sido derrotada nas disputas de 2011, 2016 e 2021, o que consolidou sua imagem como uma das figuras mais persistentes da política peruana.
Aos 51 anos, Keiko está na vida pública desde jovem. Filha de Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000, ela cresceu em meio ao poder e construiu sua carreira política ligada a um sobrenome que ainda divide profundamente os peruanos.
Formada em Administração de Empresas nos Estados Unidos, Keiko foi eleita deputada em 2006 com uma votação expressiva. Desde então, tornou-se uma das principais lideranças da direita no Peru.
Sobrenome Fujimori ainda divide o Peru
A trajetória de Keiko Fujimori é marcada pela herança política do pai. Alberto Fujimori é lembrado por apoiadores como o presidente que enfrentou o grupo Sendero Luminoso e controlou a hiperinflação nos anos 1990. Por outro lado, seu governo também foi marcado por autoritarismo, corrupção e condenações por violações de direitos humanos.
Esse legado sempre acompanhou Keiko. Para parte do eleitorado, o sobrenome Fujimori representa ordem e segurança. Para os críticos, simboliza práticas autoritárias e instabilidade política.
Durante a campanha, Keiko tentou equilibrar essas duas leituras. Ao mesmo tempo em que defendeu medidas rígidas contra o crime, buscou se apresentar como uma liderança democrática, mais conciliadora e preparada para governar um país polarizado.
Segurança pública foi eixo central da campanha de Keiko Fujimori
A eleição no Peru ocorreu em um contexto de forte preocupação com o aumento da violência, dos homicídios e das extorsões. Keiko explorou esse tema como uma de suas principais bandeiras e prometeu uma atuação dura contra o crime organizado.
Entre as propostas defendidas pela presidente eleita estão leis antiterroristas mais severas, ampliação do papel das Forças Armadas no combate à violência e uma política de segurança mais rígida. Em discursos de campanha, ela afirmou que pretende travar uma “guerra frontal” contra a criminalidade.
O discurso encontrou apoio em setores do eleitorado que associam o governo de Alberto Fujimori ao combate à violência nos anos 1990, embora essa memória siga cercada por controvérsias.
Investigações e prisão preventiva marcaram a trajetória política
Além das disputas eleitorais, Keiko Fujimori também enfrentou anos de investigações por suspeita de financiamento irregular de campanha e lavagem de dinheiro no contexto do escândalo da Odebrecht. Ela chegou a passar períodos em prisão preventiva entre 2018 e 2020.
O caso de suposto financiamento irregular foi arquivado no ano passado. Durante a campanha, Keiko buscou suavizar sua imagem pública e afirmou que aprendeu com erros cometidos ao longo da carreira política.
Novo governo terá desafio de formar base no Legislativo
Um dos principais desafios da nova presidente será consolidar apoio no Congresso. O partido Força Popular, de Keiko Fujimori, e outras legendas de direita terão peso relevante no Legislativo, mas o resultado apertado indica que a governabilidade exigirá articulação política.
O Peru vive um cenário de instabilidade institucional, com sucessivas trocas de presidentes desde 2016. Nesse ambiente, Keiko assumirá com a missão de tentar construir uma base sólida, reduzir tensões políticas e responder às demandas da população por segurança e estabilidade.
Vida pessoal e imagem pública de Keiko Fujimori
Keiko é mãe de duas filhas e se divorciou de um cidadão norte-americano. Em seu círculo político, é descrita como disciplinada, determinada e resistente aos momentos de crise.
Seu nome, de origem japonesa, costuma ser associado ao significado de “filha abençoada” ou “afortunada”. Popularmente, também é conhecida no Peru como “la china”, apelido que recebeu ainda na infância.
Agora, após mais de 15 anos tentando chegar à Presidência, Keiko Fujimori assume o Peru como uma das figuras mais conhecidas e controversas da política latino-americana, em um país dividido entre a expectativa de estabilidade e o peso histórico do fujimorismo.
Foto: REUTERS/Stifs Paucca/File Photo
Com informações de G1/agência AFP