Público prestigia abertura do Amazônia FiDoc em Belém com estreia de filme sobre Dona Onete

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Evento reúne 136 filmes e segue até 6 de maio em vários espaços culturais

O público lotou o Theatro da Paz, em Belém, para prestigiar a abertura do 11º Festival Pan-Amazônico de Cinema – Amazônia FiDoc, que iniciou sua programação na noite da última terça-feira (28) com a exibição do documentário Dona Onete: Meu Coração Neste Pedacinho Aqui”, dirigido por Mini Kerti. Esta foi a primeira vez que o filme foi exibido no estado da artista paraense. A cerimônia também contou com a apresentação do quarteto de cordas da Orquestra Paraense de Cinema, sob regência do maestro Gabriel Silva. O evento foi gratuito e aberto ao público, com ingressos disponibilizados na bilheteria do teatro, além da presença de convidados e cineastas. 

Professora, militante e guardiã de saberes amazônicos, Dona Onete ganhou reconhecimento nacional aos 72 anos, mas sua trajetória começou muito antes. No longa-metragem, filmado entre rios e matas do Pará, a artista canta os banzeiros, os botos e os sabores da floresta, em uma narrativa que reúne humor e memória, destacando elementos da cultura amazônica.

O filme tem direção de Mini Kerti, com roteiro de Carol Albuquerque e Victor Nascimento, e reúne participações de nomes como Dira Paes, Aíla, Emicida, Fafá de Belém, Gaby Amarantos, Jaloo e Manoel Cordeiro. A produção apresenta a trajetória da artista a partir de sua relação com o território, reunindo música, memória e identidade.

A programação de abertura representou apenas o início das atividades do festival. Até o dia 6 de maio, o Amazônia FiDoc segue com uma agenda que inclui exibições, debates e ações formativas em espaços como o Cine Líbero Luxardo, Sesc Ver-o-Peso, Casa Sesi, Aliança Francesa de Belém, o Museu da Imagem e do Som do Pará e a Casa das Artes. Ao todo, o festival reúne 136 filmes distribuídos em mostras competitivas e especiais, além de oficinas, workshops e atividades voltadas à formação audiovisual. 

A programação contempla produções da Amazônia Legal e da Pan-Amazônia, com filmes de países como Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Equador, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Nesta edição, a Colômbia participa como país convidado, ampliando o intercâmbio cultural entre os territórios amazônicos.

Os filmes selecionados concorrem ao Troféu Amazônia FiDoc e a prêmios em dinheiro que somam R$ 30 mil, distribuídos entre as categorias de melhor curta e melhor longa das mostras da Pan-Amazônia e da Amazônia Legal. Os vencedores serão definidos por um júri oficial formado por respeitados profissionais do setor audiovisual. A cerimônia de premiação será realizada no dia 6 de maio, às 19h, no Cine Líbero.

Segundo a cineasta e produtora Zienhe Castro, diretora do festival, o Amazônia FiDoc segue construindo um espaço fundamental para a circulação das narrativas amazônicas no cinema.

Destacamos o cenário vibrante e diverso de filmes da Amazônia Legal com participação nesta 11ª edição do festival. Também constatamos o aumento significativo na produção da região Norte do Brasil: a força e pujança dessa nova produção contemporânea do cinema brasileiro amazônida”, afirma. “Temos uma cinematografia que cresce a cada ano e que também traz temas relevantes, principalmente nos filmes documentais; e também inovação na linguagem, tanto da ficção como no documentário”, complementa.

A 11ª edição do festival conta com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet de Incentivo a Projetos Culturais, Ministério da Cultura e Governo do Brasil, com apoio cultural do Governo do Estado do Pará, Sesc-Pará, Fórum dos Festivais e Prefeitura de Belém. A realização e produção são da Z Filmes e do Instituto Culta da Amazônia.

Confira a agenda dos filmes:

A Mostra Amazônia Legal, realizada no Sesc Ver-o-Peso, tem início na quarta-feira (29/04), com a exibição de “Xingu, Nosso Rio Sagrado” (PA), às 18h30, seguida de “Concerto de Quintal” (RO), às 20h. Na quinta-feira (30/04), a partir das 18h30, a programação reúne curtas como “Divino: Sua Alma, Sua Lente” (MT), “Entre as Nuvens” (RR) e “Praça Amazonas” (PA), além do longa “A Mulher Sem Chão” (PA). No dia 5 de maio, entram em cartaz “Mucura” (RO),  “Cordel da Marujada” (PA) e o longa “Terra Devastada” (MA), também a partir das 18h30.

A mostra segue no MIS, no dia 3 de maio, às 17h, com títulos como “Noke Koi – A Festa de um Povo Verdadeiro” (AC) e “Sukande Kasáká – Terra Doente” (MT), além das produções paraenses “Umassuma – Lascas de Memória” e “Visagens e Visões”. A sessão inclui ainda “A Ascensão da Cigarra” (RO) e o longa “Como Matar um Rio” (RO). No dia 4, a programação apresenta “Dia dos Pais” (AM), “Cata” (MA) e o longa “Os Avós” (AM), com início às 18h30.

A Mostra Pan-Amazônica começa em 29 de abril, na Casa das Artes, com “Amora” (SP), às 17h30. No dia 30, no Cine Líbero Luxardo, às 18h30, serão exibidos “Boiuna” (PA), “Cais” (BA) e o documentário “Dona Onete: Meu Coração Nesse Pedacinho Aqui” (RJ), às 20h. No dia 1º de maio, a programação reúne curtas como “Não São Águas Passadas” (PA), “Samba Infinito” (RJ) e “Como Nasce Um Rio” (BA), além de “Agrotóxicos Sem Fronteira: Um Dilema Global” (DF), com início às 18h30, e o longa “Honestino” (AM), às 20h.

No dia 2 de maio, a mostra apresenta “Você Lembra” (MG) e “Glória e Liberdade” (CE), com início às 16h30, além dos curtas “Arame Farpado” (SP), “Quanto Vale o Azul?” (RJ) e “Quilombo – Grileiros de Antinha de Baixo” (GO), às 18h30, encerrando com “Nimuendajú” (MG), às 20h. No dia 3, filmes internacionais como “Feridas de Asfalto” (Equador), “Morichales” (Colômbia), às 16h30, “Sara” (Peru) e “Varado” (Guiana Francesa), às 18h30, compõem a programação. No dia 4, retornam “Dona Onete: Meu Coração Nesse Pedacinho Aqui” (RJ), com início às 16h40, seguido de “Era Uma Vez nos Andes” (Peru), às 18h30, e “O Rio dos Espíritos” (Equador/EUA), às 20h10. A mostra encerra no dia 5 com “Shiringa, Genocídio e Resistência na Amazônia” (Peru), às 18h30, e “Kueka, Memória Ancestral” (Venezuela), às 20h10.

Outro destaque é a Mostra As Amazonas do Cinema, realizada na Casa das Artes, que inicia no dia 30 de abril com curtas como “Quem Quer?” (PA), “Maira Porongyta – O Aviso dos Céus” (RJ), “Tapando Buracos” (AL) e “Madre” (GO), com início às 18h30, além de “Cabeça, Ombro, Joelho e Pé” (SP), “Áudios de Casa” (SP) e o longa “A Vida Secreta dos Meus Três Homens” (CE), às 20h. No dia 1º de maio, a programação segue com “A Pele do Ouro” (RR), “Beira” (RO), “Ambivalência” (RJ) e “Rami Rami Kirami” (AC), às 18h30, e o longa “Mama” (Equador), às 20h.

No dia 2 de maio, entram em cartaz “Todavía Baila” (AM), “Replikka” (SP), “Da Janela” (MG) e o longa “Desejo de Viver (Mutatis Mutandis)” (SP), com início às 16h, seguido de “Quatro Luas Pantaneiras” (MS), às 18h30. A noite se encerra com a cerimônia de premiação e a exibição dos curtas “Americana”, de Agarb Braga, e “Taru Andé”, de Amaru.

A Mostra Acessibilidade, também na Casa das Artes, será no domingo, dia 3 de maio, a partir das 18h, e reúne obras com recursos como Libras e audiodescrição, incluindo longas como “Honestino” e “Cais”, além de curtas como “Beira”, “A Ascensão da Cigarra” e “Umassuma”. Além disso, durante a programação normal, várias obras serão exibidas com legendas descritivas.

Entre as mostras paralelas, a Mostra Cinema Indígena, no dia 4 de maio, na Casa das Artes, apresenta, a partir das 18h30, “Mydzé” (CE), “Ava Kuña, Aty Kuña: mulher indígena, mulher política” (MS) e “Mundurukuyü” (PA). Já a Mostra Cinema Negro, no dia 5, no mesmo horário, exibe “Carrinho de Rolimã: uma aventura em alta velocidade” (PA), “Te Vejo na Saída do Boi” (AM), “Sonhos de Rio” (PA) e “Ginga Reggae” (MA).

Voltada para todas as idades, a Mostra Curumim acontece no dia 2 de maio, no Sesc Ver-o-Peso, às 15h, “O Coração da Boiuna” (PA), “Bici” (PA) e “Tainá e os Guardiões da Amazônia – Em Busca da Flecha Azul” (RJ). No dia 3, na Casa das Artes, no mesmo horário, a programação inclui “Umassuma, Lascas de Memória” (PA) e o longa “O Diário de Pilar na Amazônia” (RJ).

A Mostra de Cinema Colombiano, no dia 30 de abril, apresenta no MIS, com início às 19h,  o curta “Os Vaga-lumes Dançam” e o longa “Alma do Deserto”. Já no dia 1º de maio, no mesmo horário “Lanawaru” e “Andarriega”.

Além das mostras, o festival promove sessões especiais, como a exibição em work in progress de “Juliana contra o Jambeiro do Diabo pelo Coração de João Batista”, dirigido por Roger Elarrat, no dia 29 de abril, às 19h, na Casa das Artes. No dia 3 de maio, a partir das 16h, no MIS, acontecem as pré-estreias de “Belém Cidade Sound System”, de Felipe Pamplona, e “Tó Teixeira… Cotidiano e Memória”, de Chico Carneiro e Januário Guedes.

A Mostra Competitiva Primeiro Olhar – Rios das Memórias será realizada no dia 30 de abril, das 10h às 12h, no Cine Líbero, e nasce da 4ª edição do Curta Escolas, promovida entre 16 de março e 4 de abril de 2026 no arquipélago do Marajó. Integrando a programação do 11º Amazônia FiDoc, a iniciativa levou formação audiovisual e cinema itinerante aos municípios de Cachoeira do Arari, Soure e à vila de Joanes, em Salvaterra, com oficinas, produção de curtas e exibições gratuitas. A mostra reúne seis curtas-metragens produzidos por estudantes — três da Escola Bosque, em Belém, e três de escolas do Marajó —, resultado direto do processo formativo. Com o eixo curatorial “Rios das Memórias”, a sessão propõe um olhar sobre o território amazônico a partir dos rios como espaços de circulação de histórias, identidades e afetos. 

A programação completa, com horários, locais de exibição, retirada de ingressos e inscrições para oficinas, está disponível no site oficial e nas redes sociais do festival, por meio do perfil @amazoniafidoc.

Sobre a Petrobras

A Petrobras é uma das principais empresas do país. Atua de forma integrada e especializada na indústria de óleo, gás natural e energia. A Cultura é também uma energia na qual a companhia investe, patrocinando há mais de 40 anos projetos que contribuem para a cultura brasileira e se fazem presentes em todos os Estados brasileiros.

Sobre a ZFilmes

Fundada em 1988, em Belém, desde 2004 dedica-se ao desenvolvimento de projetos audiovisuais. A principal atuação está na produção independente e autoral de curtas, médias e longas-metragens com temáticas voltadas à discussão e debate das problemáticas e as potencialidades da região Amazônica, foco principal da produtora. Realiza documentários, ficções, publicidades e oficinas de audiovisual. É a produtora oficial do Festival Pan-Amazônico de Cinema – Amazônia Fidoc, que propõe o intercâmbio e o diálogo das diversas “Amazônias” por meio da produção cinematográfica dos nove países que integram o território Pan-amazônico. Já produziu e co-produziu diversos formatos de curtas, médias e longas-metragens nacionais e internacionais. Dentre suas produções originais, estão o curta documental “Ervas e saberes da floresta” (2010/2012), premiado em Edital da Petrobras; o curta de ficção “Promessa em azul e branco” (2012/2013), premiado em Edital do MinC; o curta de ficção “O homem do Central Hotel” (2020), premiado em edital Carmen Santos/Minc e Prêmio de Melhor curta ficção no Festival Festin 3 en 1 em Lisboa – Portugal; o longa documentário e animação “Simplesmente Eneida”, que chega aos cinemas em 2026; e “Amazônia Ancestral”, série documental de oito episódios, que será lançada em 2026 pelo Canal CURTA!

Foto: Reinan Teixeira

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