O Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, celebrado nesta segunda-feira (16), reforça a importância da educação ambiental e da mobilização social para enfrentar a crise climática. No Pará, a Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi) destaca iniciativas voltadas à participação indígena em políticas públicas e à proteção dos territórios tradicionais.
Segundo a secretaria, as ações buscam integrar preservação ambiental, fortalecimento das comunidades indígenas e participação nas discussões sobre clima. A Amazônia ocupa posição estratégica no debate global sobre biodiversidade e mudanças climáticas, e os territórios indígenas são apontados como áreas fundamentais para a conservação das florestas.
A secretária de Estado dos Povos Indígenas, Puyr Tembé, afirma que os povos originários desempenham papel relevante na proteção ambiental e na preservação dos conhecimentos tradicionais relacionados à floresta.
Mobilização indígena e participação na COP 30
Entre as iniciativas destacadas pela Sepi está a mobilização em torno da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), realizada em novembro de 2025, em Belém.
Durante o processo de preparação para o evento, foram realizadas as Caravanas dos Povos Indígenas rumo à COP 30, que percorreram diferentes regiões do Pará com ações de informação e formação voltadas às lideranças indígenas sobre o debate climático e a participação na conferência.
Ao todo, foram promovidas oito caravanas, que reuniram cerca de 1.200 lideranças indígenas de diferentes territórios do estado.
Durante a conferência, a Sepi também participou da Marcha Global pelo Clima, realizada em Belém, que reuniu mais de 15 mil pessoas. Entre os participantes estavam cerca de 3.500 indígenas de diferentes regiões da Amazônia e representantes de países como Venezuela, Guatemala, Quênia, Peru, Canadá e Austrália.
Outra iniciativa foi a realização da Aldeia COP, espaço voltado a debates, atividades culturais e troca de conhecimentos tradicionais. O projeto foi organizado em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa).
Formação e participação em políticas climáticas
A secretaria também promove ações de formação voltadas à participação das comunidades indígenas na construção de políticas públicas relacionadas às mudanças climáticas.
Entre as atividades estão as Oficinas Etnorregionais de Mudanças Climáticas e REDD+, realizadas em diferentes territórios indígenas do Pará. O REDD+ é um mecanismo internacional voltado à redução das emissões de gases de efeito estufa causadas pelo desmatamento e pela degradação florestal.
Em 2026, a Sepi promoveu em Belém o Seminário de Governança e Construção do Plano de Consulta Indígena do Sistema Jurisdicional de REDD+ do Pará, que reuniu cerca de 70 lideranças indígenas de diferentes etnorregiões do estado.
O encontro discutiu a definição da Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI), instrumento que garante o direito dos povos indígenas de participar das decisões que impactam seus territórios e modos de vida.
A participação indígena também ocorreu nas discussões do Plano ABC+ (2020–2030), iniciativa do Governo Federal voltada ao desenvolvimento de uma agropecuária sustentável e de baixa emissão de carbono. No Pará, 110 pessoas foram capacitadas em oficinas realizadas nos municípios de Marabá e Redenção.
Ações de prevenção a incêndios em territórios indígenas
A Sepi também atua em iniciativas voltadas à prevenção e ao combate aos incêndios florestais em territórios indígenas. Entre as ações está a capacitação de brigadas comunitárias.
Na Oficina de Capacitação dos Guardiões da Floresta, foram formados 93 indígenas de diferentes regiões, incluindo territórios como Alto Rio Guamá, Jacareacanga e Mãe Maria.
Durante as atividades, os participantes receberam treinamento em técnicas de brigada de incêndio, além de orientações sobre legislação ambiental e gestão territorial.
Também foram entregues kits de equipamentos de proteção individual, destinados a fortalecer a atuação das brigadas nas comunidades. Segundo a secretaria, o combate aos incêndios é considerado estratégico no enfrentamento das mudanças climáticas, já que o fogo contribui para a emissão de gases de efeito estufa e para a degradação das florestas.