Operação Coronéis do Xingu tem como alvo central o ex-prefeito João Cléber de Sousa Torres e também realizou buscas no gabinete do deputado estadual Torrinho Torres, irmão dele, na Alepa
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (1º), a Operação Coronéis do Xingu para apurar um suposto esquema de desvio de recursos públicos federais que deveriam ser aplicados na área da educação em São Félix do Xingu, no sudeste do Pará.
A ação cumpre 25 mandados de busca e apreensão em três cidades: Belém, São Félix do Xingu e Natal, no Rio Grande do Norte. Segundo as investigações, os contratos administrativos sob suspeita foram firmados entre os anos de 2014 e 2024 e somam cerca de R$ 50 milhões.
Ex-prefeito de São Félix do Xingu é alvo central
O principal investigado na operação é João Cléber de Sousa Torres, ex-prefeito de São Félix do Xingu. A Polícia Federal também cumpriu mandado no gabinete do deputado estadual Francisco Torres de Paula Filho, conhecido como Torrinho Torres, na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). O parlamentar é irmão do ex-prefeito.
Torrinho Torres chegou à Alepa como primeiro suplente de Igor Normando, pelo Podemos, e assumiu temporariamente o mandato em 2023. Depois da eleição de Normando para a Prefeitura de Belém, passou a ocupar a vaga de forma definitiva, com mandato até 31 de janeiro de 2027. No período, o deputado mudou de partido, saindo do Podemos, passando pelo MDB e retornando ao Republicanos.
Contratos da educação estão no centro da apuração
De acordo com a Polícia Federal, a investigação aponta suspeitas de irregularidades em licitações, uso de empresas sem estrutura operacional compatível e desvio de verbas destinadas à construção, reforma e ampliação de escolas em São Félix do Xingu.
A apuração também indica que parte das obras contratadas teria sido entregue de forma parcial ou sequer concluída, mesmo com a utilização de recursos públicos federais.
PF também apura lavagem de dinheiro e ligação com garimpo ilegal
Além das suspeitas relacionadas aos contratos da educação, a Polícia Federal identificou indícios de lavagem de dinheiro, que teria sido usada para tentar ocultar a origem dos valores desviados.
A investigação também apura possíveis conexões entre o suposto esquema e atividades ligadas ao garimpo ilegal de ouro na região do Xingu. Por decisão da Justiça Federal, foi determinada a indisponibilidade de aproximadamente R$ 3 milhões em bens dos investigados.
Os crimes apurados incluem fraude em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa.