MPF processa Globo por pronúncia de “recorde”: entenda a ação civil pública

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O Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais entrou com uma ação civil pública contra a TV Globo, alegando que a emissora tem repetidamente pronunciado de forma incorreta a palavra “recorde” em sua programação. A iniciativa jurídica tem gerado ampla repercussão no meio jurídico e entre internautas, justamente por tratar de um erro de português que, na visão do procurador autor da ação, compromete a função educativa da televisão.


O motivo do processo: erro de pronúncia em rede nacional

O processo foi ajuizado pelo procurador da República Cléber Eustáquio Neves, do MPF-MG, que aponta que apresentadores e repórteres da Globo vêm pronunciando a palavra “recorde” como se fosse proparoxítona (“RÉ-cor-de”) — forma considerada incorreta segundo a norma culta da língua portuguesa. Conforme a ação, a pronúncia correta é paroxítona: “reCORde”, sem acento gráfico.

Na petição, são citados trechos de programas como Jornal Nacional, Globo Esporte e Globo Rural para ilustrar a repetição do que o procurador classifica como erro de prosódia.


Argumento do procurador: proteção da língua portuguesa

Para o procurador, a difusão do erro de pronúncia em escala nacional vai além de uma simples gafe linguística. Na ação, ele afirma que a emissora — por atuar como concessionária pública de radiodifusão — tem a obrigação de seguir a norma culta da língua portuguesa e contribuir para a educação linguística da população.

Segundo o texto da ação, a insistência no uso considerado inadequado de “recorde” representa uma lesão ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa e compromete a missão educativa dos veículos de comunicação.


Pedido de indenização e penalidades

A ação civil pública requer que a TV Globo seja condenada a pagar R$ 10 milhões por danos morais coletivos, além de estipular multas diárias no caso de novas ocorrências da pronúncia considerada errada ao longo da programação.

O procurador também sugere que a emissora retifique publicamente a pronúncia da palavra “recorde” e adote medidas internas para orientar equipes a utilizar a forma correta de acordo com a norma culta da língua portuguesa.


Repercussão e posição da Globo

Até o momento, a TV Globo não se manifestou oficialmente sobre o teor da ação civil pública ou sobre a defesa que será apresentada nos autos. A emissora costuma não comentar casos que ainda estão em tramitação na Justiça.

A ação tem gerado debates nas redes sociais e entre especialistas em língua portuguesa, com opiniões divididas sobre a pertinência de se levar ao Judiciário um caso ligado à prosódia, especialmente considerando as variações linguísticas existentes no português falado no Brasil.

Foto: Reproidução/TV Globo

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