Método ganhou visibilidade entre artistas e é associado por praticantes à redução do estresse, melhora do bem-estar e mais equilíbrio na rotina
A meditação transcendental voltou a chamar atenção após o cantor Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, relatar que passou a incluir a prática em sua rotina como parte dos cuidados com a saúde mental. O artista contou que procurou ajuda profissional após enfrentar um período de estresse elevado e “turbulência interna”, agravado pela rotina intensa de treinos, viagens e shows pelo Brasil.
A recomendação para experimentar a técnica veio de profissionais que acompanham sua saúde psicológica. Desde então, Tico passou a meditar duas vezes ao dia, por cerca de 20 minutos, buscando momentos de pausa e desconexão em meio à agenda movimentada.
A prática também é conhecida por atrair outros nomes famosos, como Angélica, Julia Lemmertz, Cissa Guimarães e Marcelo Serrado, citados entre alunos do instrutor Klebér Tani, uma das referências da meditação transcendental no Brasil.
Tico Santa Cruz adotou meditação transcendental após fase de estresse
Segundo Tico Santa Cruz, a busca pela meditação transcendental surgiu após um período de maior desgaste emocional. Além da agenda de apresentações com o Detonautas, o cantor também passou a se dedicar ao triatlo, com treinos semanais.
“Eu já tinha feito ioga e comecei a pesquisar sobre a meditação transcendental. Entendi que poderia fazê-la em qualquer lugar e a qualquer momento com a técnica adequada”, contou o artista.
No início, Tico afirma que teve dificuldade para manter a concentração. Com a prática, passou a perceber os 20 minutos de meditação como um espaço importante de pausa.
“Às vezes me desconcentrava muito. Olhava o relógio e não passava o tempo. Era por causa da minha ansiedade. Atualmente passam os 20 minutos e nem sinto. Acho que só o fato de conseguir me desconectar do tempo durante 20 minutos e não perceber já é um avanço muito grande que quero trazer para o meu dia a dia”, relatou.
O cantor também destacou que a meditação entrou como uma ferramenta complementar, ao lado da psicanálise, da espiritualidade e de outros cuidados voltados à saúde mental e física.
O que é meditação transcendental?
A meditação transcendental é uma técnica de meditação criada na Índia, na década de 1950, por Maharishi Mahesh Yogi. A prática ganhou projeção internacional no fim dos anos 1960, quando passou a ser associada a artistas e músicos, entre eles integrantes dos Beatles.
Diferente de outras práticas meditativas, a meditação transcendental é apresentada por seus instrutores como uma técnica simples, silenciosa e sem esforço, geralmente praticada duas vezes ao dia, por cerca de 20 minutos. O método costuma envolver o uso de um mantra pessoal, ensinado por um instrutor habilitado.
De acordo com Klebér Tani, que atua como instrutor no Rio de Janeiro há décadas, a técnica não se baseia em controle da respiração, concentração rígida ou tentativa de esvaziar a mente.
“A meditação transcendental não usa nenhum tipo de controle mental, não usa respiração, não usa concentração em mantra, não luta contra os pensamentos, não tenta esvaziar a mente. É uma técnica que não envolve esforço”, explica.
Por que a meditação transcendental atrai famosos?
A busca por práticas de meditação tem crescido entre pessoas com rotinas intensas, especialmente por estar associada a momentos de pausa, relaxamento e organização mental. No caso de artistas, que costumam lidar com pressão pública, viagens, exposição e agendas irregulares, a técnica aparece como uma alternativa para criar períodos de recolhimento ao longo do dia.
Além de Tico Santa Cruz, nomes como Angélica, Julia Lemmertz, Cissa Guimarães e Marcelo Serrado também são citados entre praticantes da meditação transcendental no Brasil.
Para muitos adeptos, o atrativo da técnica está justamente na proposta de simplicidade: parar, sentar-se confortavelmente e seguir o método por alguns minutos, sem necessidade de equipamentos ou ambiente específico.
Meditação transcendental ajuda na ansiedade e no estresse?
Estudos sobre meditação indicam que práticas meditativas podem contribuir para a redução de sintomas de estresse, ansiedade e depressão, especialmente quando usadas como complemento a cuidados convencionais. O Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa dos Estados Unidos, ligado aos Institutos Nacionais de Saúde, aponta que algumas abordagens de meditação demonstraram benefícios, embora ressalte que parte das evidências ainda exige cautela por limitações metodológicas.
A Mayo Clinic também informa que a meditação pode ajudar a reduzir o estresse, favorecer relaxamento, melhorar o foco, o sono e o humor, além de auxiliar algumas pessoas a lidar melhor com ansiedade e cansaço. A instituição reforça, porém, que a prática deve ser entendida como complementar e não como substituta de tratamento médico ou psicológico quando necessário.
No caso da meditação transcendental, estudos também investigam possíveis efeitos sobre pressão arterial e saúde cardiovascular. Uma revisão publicada na plataforma da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos cita que a Associação Americana do Coração já considerou a técnica uma abordagem que pode ser avaliada em planos de cuidado para redução da pressão arterial, sempre dentro de acompanhamento adequado.
Técnica deve ser vista como apoio, não como substituição de tratamento
Embora praticantes relatem benefícios como sensação de calma, melhora do bem-estar e maior equilíbrio emocional, especialistas recomendam cautela diante de promessas absolutas. A meditação pode ser uma ferramenta útil na rotina, mas não substitui acompanhamento médico, psicológico ou psiquiátrico em casos de ansiedade intensa, depressão, estresse crônico ou outros quadros de saúde mental.
No relato de Tico Santa Cruz, a prática aparece justamente como parte de um conjunto de cuidados. O cantor afirma que segue com psicanálise e considera a meditação mais uma ferramenta dentro de uma busca por saúde mental, física e espiritual.
Com informações de Gshow
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