Indígenas cobram criação de comissão da verdade para apurar crimes da ditadura
Participantes do Acampamento Terra Livre (ATL 2026) defenderam a criação de uma comissão nacional voltada à investigação de violações de direitos humanos cometidas contra povos indígenas no Brasil entre 1946 e 1988. A reivindicação foi apresentada durante debates realizados em Brasília, onde o evento reúne milhares de indígenas até o próximo sábado (11).
A proposta de criação de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade integra recomendações feitas pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) em 2014, após a apuração de crimes ocorridos no período. Segundo representantes indígenas, a medida é considerada fundamental para garantir memória, reparação e evitar a repetição de violações.
De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), dados levantados pela CNV apontam que pelo menos 8.350 indígenas foram mortos no período investigado. A entidade reforça que a apuração desses casos ainda demanda aprofundamento e reconhecimento institucional.
Durante o evento, especialistas destacaram a importância de políticas de justiça de transição, que envolvem o resgate da memória histórica, a apuração dos fatos e a implementação de mecanismos que impeçam novas violações. Pesquisadores também ressaltaram a necessidade de ampliar o acesso a documentos e registros sobre o tema.
Representantes do Ministério Público Federal (MPF) informaram que, em 2025, foi apresentada ao governo federal uma proposta de texto legal para criação da comissão. A iniciativa prevê a participação direta dos povos indígenas na construção da narrativa histórica e na busca por reparação.
O debate sobre memória, verdade e justiça integra a programação do ATL 2026, considerado uma das principais mobilizações indígenas do país, reunindo lideranças, organizações e representantes da sociedade civil em torno de pautas relacionadas a direitos e políticas públicas.