Governo do Pará avança na atração de investimentos para o futuro Distrito Industrial de Breves
Projeto ligado à cadeia do açaí prevê bioeconomia, verticalização industrial e aproveitamento de subprodutos amazônicos no Marajó
O Governo do Pará, por meio da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), avançou nas tratativas para atração de novos investimentos ao interior do Estado. Nesta quarta-feira (27), a Companhia realizou um atendimento estratégico com um investidor interessado em implantar um empreendimento industrial ligado à cadeia produtiva do açaí no futuro Distrito Industrial de Breves, no arquipélago do Marajó.
A proposta apresentada à Codec está relacionada à bioeconomia, à verticalização industrial e ao aproveitamento integral de subprodutos amazônicos. O objetivo é ampliar as possibilidades de transformação produtiva do açaí, indo além da produção tradicional da polpa.
Projeto prevê reaproveitamento do caroço do açaí
O empreendimento em análise inclui alternativas para o reaproveitamento do caroço do açaí, com foco no desenvolvimento de biomateriais, painéis industriais, soluções sustentáveis e novos derivados com potencial de mercado nacional e internacional.
O empresário já atua no segmento por meio de sociedade em uma empresa instalada em Castanhal. Durante a reunião, ele apresentou o interesse em estruturar uma nova operação própria, com previsão inicial de instalação em uma área de aproximadamente 20 mil metros quadrados no futuro distrito industrial.
Cadeia do açaí no Pará ganha novas perspectivas
Durante o atendimento, o investidor compartilhou sua trajetória na cadeia do açaí no Pará. Ele relatou que iniciou a atuação como feirante e que, em períodos anteriores, chegou a descartar grandes volumes do fruto pela falta de alternativas industriais capazes de absorver e transformar a produção.
Segundo o empresário, essa experiência contribuiu para ampliar sua visão sobre o potencial econômico do açaí e sobre a necessidade de criar soluções voltadas ao aproveitamento integral da produção amazônica.
“A cadeia do açaí no Pará já possui conhecimento acumulado de manejo, produção e industrialização. O que vemos agora é a oportunidade de conectar essas etapas para ampliar a transformação industrial, desenvolver novos produtos e agregar valor dentro do próprio território”, afirmou.
Distrito Industrial de Breves deve fortalecer a bioeconomia no Marajó
Pela Codec, participaram do atendimento o diretor de Atração de Investimentos e Novos Negócios, Manoel Ibiapina, e a gerente de Atendimento a Novos Negócios, Sabrina Sena.
Durante a reunião, a Companhia apresentou o panorama atual do futuro Distrito Industrial de Breves, os avanços conduzidos pelo Governo do Estado para a estruturação da área e as perspectivas de implantação gradual de novos empreendimentos no local.
O atendimento também abordou temas como logística regional, estrutura energética do distrito, incentivos fiscais aplicados ao Marajó e o ambiente econômico que começa a ser organizado para receber novos investimentos associados às cadeias produtivas amazônicas.
Breves tem posição estratégica para novos empreendimentos
Manoel Ibiapina destacou que o Distrito Industrial de Breves vem sendo planejado para estimular atividades produtivas alinhadas às potencialidades econômicas da região.
“Breves possui características estratégicas importantes para projetos ligados à bioeconomia, especialmente pela proximidade da produção, pela logística fluvial e pelo potencial de agregação de valor às cadeias amazônicas. O objetivo é criar condições para que novos empreendimentos possam se instalar de forma planejada e sustentável”, afirmou.
Ao longo da reunião, também foram debatidos o cenário global do mercado do açaí, o crescimento da demanda internacional pelo fruto e o interesse de players estrangeiros no segmento, incluindo mercados como o da Nova Zelândia.
As discussões reforçaram o potencial do Pará para ampliar sua presença em cadeias ligadas à transformação industrial, à agregação de valor e ao desenvolvimento de novos produtos derivados da biodiversidade amazônica.
Incentivos fiscais podem fortalecer competitividade industrial
Durante o atendimento, a Codec também apresentou informações sobre os incentivos previstos no Decreto nº 532/2021, instrumento da política estadual de desenvolvimento econômico para o Marajó.
A legislação assegura benefícios fiscais para indústrias instaladas na região, incluindo incentivos relacionados ao ICMS e ao consumo de energia elétrica. A medida contribui para a redução de custos operacionais e para o fortalecimento da competitividade industrial no arquipélago.
Manoel Ibiapina explicou ainda que a ocupação do Distrito Industrial de Breves será conduzida de forma planejada, considerando zoneamento econômico, definição de vocações produtivas e compatibilidade entre atividades industriais.
“O que estamos construindo é um ambiente preparado para receber empreendimentos alinhados à lógica econômica e às potencialidades da região, garantindo organização, viabilidade e desenvolvimento sustentável para o distrito”, concluiu.
Quatro empresas já demonstraram interesse no distrito
Como encaminhamento, a gerente Sabrina Sena dará continuidade às tratativas técnicas, com envio da ficha de interesse e demais orientações necessárias para o prosseguimento do atendimento institucional.
Atualmente, quatro empresas já manifestaram interesse em integrar o futuro Distrito Industrial de Breves. Como parte da estratégia de prospecção e organização do ambiente de negócios, a Codec também disponibiliza, em seu site institucional, um formulário de inscrição destinado a investidores interessados em acompanhar e participar do processo de estruturação do distrito.
A iniciativa reforça o avanço das ações do Governo do Pará voltadas à criação de ambientes estruturados para atração de investimentos no interior do Estado. A estratégia busca estimular novas etapas de industrialização, agregação de valor e fortalecimento das cadeias produtivas amazônicas.
Com informações da Agência Pará
Foto: Casaninja