Primeira edição do Psica no Verão Amazônico movimentou aproximadamente R$ 3 milhões na economia local, gerou centenas de empregos e destacou artistas marajoaras na Vila de Joanes.
A primeira edição do Festival Psica no Marajó reuniu cerca de 15 mil pessoas durante dois dias de programação gratuita na Vila de Joanes, no município de Salvaterra. O evento integrou o calendário do Verão Amazônico e contou com dez apresentações musicais à beira da praia.
Nomes nacionais, como Duda Beat, Mombojó e Tribo de Jah, dividiram o palco com mestres da cultura popular, DJs, grupos tradicionais e artistas da nova cena musical da Amazônia.
Além de ampliar a programação cultural da região, o festival movimentou aproximadamente R$ 3 milhões na economia local, gerou 120 empregos diretos e cerca de 300 postos indiretos, envolvendo comerciantes, fornecedores, artistas e trabalhadores do Marajó.
Festival Psica reforça ligação com a cultura marajoara
Durante o evento, a Vila de Joanes se transformou em um ponto de encontro entre diferentes ritmos, gerações e territórios. As apresentações ocorreram em meio às paisagens da praia, aproximando o público da cultura produzida no arquipélago.
De acordo com Jeft Dias, diretor do festival, a realização do Psica no Marajó representa um retorno às origens do projeto e fortalece a relação construída com a cultura amazônica.
“É um marco para a gente. Enquanto muita gente diz que está na hora de ir para o Rio ou São Paulo, nós fizemos o caminho contrário: voltamos para as nossas raízes. O Marajó tem uma influência enorme na história do Psica e na forma como entendemos a cultura amazônica”, afirmou.
Segundo o diretor, o festival também busca estabelecer uma relação de troca com o território, reconhecendo a importância do Marajó para a identidade e a trajetória do Psica.
Mestre Zezinho emociona público em apresentação no Marajó
Um dos momentos mais marcantes da primeira noite foi protagonizado por Mestre Zezinho, artista de Cachoeira do Arari e autor de “Invernada Marajoara”, uma das canções mais conhecidas do repertório cultural da ilha.
Ao lado do grupo Balanço de Maré, o compositor interpretou músicas inspiradas nos campos alagados, nas paisagens naturais e no cotidiano das comunidades marajoaras.
Para Mestre Zezinho, participar do festival foi uma oportunidade de valorizar o modo de vida, o linguajar e as tradições da população local.
“É um prazer imenso participar do Psica, um festival que valoriza o caboclo marajoara, o linguajar, as expressões e as estações bem definidas da região”, declarou.
O artista também destacou as mudanças provocadas pelas estações no arquipélago e a relação dos moradores com as águas e os campos do Marajó.
Tribo de Jah, Layse e artistas amazônicos abrem programação
A primeira noite do Festival Psica no Verão Amazônico também contou com a apresentação da Tribo de Jah, um dos principais nomes do reggae brasileiro, além da DJ Cleide Roots e do grupo Layse & Lambada da Serpente.
Liderado pela guitarrista, baterista, cantora e compositora Layse, o grupo apresentou uma combinação contemporânea de lambada e guitarrada amazônica. O espetáculo esteve entre os mais celebrados pelo público durante a abertura do festival.
A programação reforçou a diversidade de ritmos presentes na cultura amazônica e colocou lado a lado artistas tradicionais e representantes da música contemporânea.
Keila e DJ Pedrita celebram o tecnobrega paraense
No segundo dia do evento, a cantora Keila dividiu o palco com a DJ Pedrita, considerada a primeira mulher DJ de aparelhagem do Oeste do Pará.
A dupla apresentou sucessos da Gang do Eletro, grupo responsável por ampliar a projeção do tecnobrega paraense e da música produzida nas periferias de Belém.
Durante sua trajetória, a Gang do Eletro participou da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, apresentou-se em festivais internacionais, teve músicas incluídas em novelas e conquistou um Prêmio Multishow.
Mombojó retorna ao Pará após mais de 15 anos
A apresentação da banda pernambucana Mombojó marcou um dos reencontros mais aguardados pelo público. O grupo voltou a se apresentar no Pará depois de mais de 15 anos.
No encerramento do show, o vocalista Felipe S desceu do palco, foi carregado pelos fãs e participou de uma grande roda formada na areia da praia.
A interação entre a banda e o público transformou o espetáculo em um dos momentos mais comentados da primeira edição do festival em Joanes.
Duda Beat encerra festival com praia lotada
Responsável por fechar a programação, Duda Beat atraiu uma multidão para a praia de Joanes. A cantora apresentou um espetáculo acompanhado por bailarinos e celebrou o retorno aos palcos paraenses.
Durante a apresentação, a artista afirmou estar feliz por voltar ao Pará depois de um longo período sem realizar shows no estado.
O encerramento consolidou o festival como uma das grandes atrações culturais do verão no Marajó, reunindo moradores, visitantes e turistas na Vila de Joanes.
Artistas marajoaras ganham protagonismo no Psica
Além das atrações conhecidas nacionalmente, o festival manteve artistas da Amazônia no centro da programação.
Participaram do evento Mestre Zezinho e Balanço de Maré, Grupo Paracauari convida Mestra Jesus, Encanto Marajoara, Mega Pop Show, Rock dos Brabos, DJ Rafael Cassiano e DJ Pedrita.
A curadoria aproximou diferentes gerações da música amazônica e reafirmou uma das principais características do Psica: oferecer visibilidade aos artistas da região em condições de destaque ao lado de atrações nacionais.
Festival movimenta R$ 3 milhões na economia local
O impacto do Festival Psica no Marajó ultrapassou a programação musical. De acordo com a organização, aproximadamente R$ 3 milhões circularam na economia local durante a realização do evento.
A iniciativa gerou 120 empregos diretos e cerca de 300 indiretos, beneficiando fornecedores, empreendedores, trabalhadores e prestadores de serviços da região.
O movimento também alcançou setores como hospedagem, alimentação, transporte, comércio e turismo, ampliando a circulação de visitantes na Vila de Joanes.
Cenografia utiliza madeira de embarcações encontrada nas praias
A valorização do território também esteve presente na estrutura do evento. O palco e o pórtico de entrada foram desenvolvidos por artistas marajoaras do coletivo Caroço.
As obras utilizaram madeiras de embarcações recolhidas nas praias da ilha. O material, que seria descartado, foi transformado em arte e incorporado à identidade visual do festival.
“Encontramos na praia de Joanes a beleza trazida pelas nossas marés. Presentes navegantes que transformamos em matéria-prima para dar forma ao nosso sonho”, escreveu o coletivo.
Segundo os artistas, a proposta foi transformar resíduos levados pelas águas em cenografia, arte e elementos capazes de representar a relação entre o festival e o território marajoara.
Primeira edição consolida Psica no Verão Amazônico
Ao reunir grandes atrações, artistas locais, geração de empregos e valorização da cultura regional, a primeira edição do Psica no Verão Amazônico fortaleceu Joanes como destino cultural durante o período de férias.
O evento também demonstrou o potencial dos festivais para impulsionar o turismo no Marajó, movimentar a economia e promover a música amazônica para públicos de diferentes regiões do país.
Foto: Lorena Fadul/Psica