Falta de saúde preventiva ainda preocupa e impacta sistema de saúde no Brasil

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Baixa adesão a exames e acompanhamento médico contribui para aumento de doenças crônicas

A saúde preventiva no Brasil ainda é um desafio para grande parte da população. Dados da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) indicam que 71% dos brasileiros que utilizam o SUS não mantêm hábitos regulares de prevenção, cenário que segue preocupante mesmo anos após a pesquisa.

Especialistas alertam que fatores como o envelhecimento da população, o avanço das doenças crônicas e até os impactos das mudanças climáticas tendem a agravar ainda mais esse quadro, pressionando o sistema público de saúde.


Rotina e falta de informação dificultam cuidado contínuo

De acordo com Eucimara Ribeiro, docente do IDOMED e médica de família, ainda existem barreiras culturais e sociais que dificultam a adoção de hábitos preventivos.

Ainda existe uma ideia muito forte de que saúde é apenas ‘não sentir nada’. Além disso, com a rotina cada vez mais corrida, o acesso aos serviços, principalmente públicos, nem sempre é fácil. Pessoas em situação de vulnerabilidade, que trabalham e precisam de atendimento de rotina, muitas vezes não conseguem um dia na agenda sem sofrer descontos no salário, então vão adiando esse cuidado”, explica.

Ela também destaca a importância da informação para mudar esse comportamento:
Também há falta de informação. Quando as pessoas entendem que exames e consultas periódicas podem identificar problemas precocemente, antes mesmo de qualquer sinal aparecer, passam a valorizar mais esse acompanhamento.”


Doenças crônicas podem ser evitadas com prevenção

A prevenção em saúde é apontada como uma das principais estratégias para reduzir o avanço de doenças como hipertensão, diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares, obesidade e até alguns tipos de câncer.

Além das condições físicas, o cuidado preventivo também inclui aspectos emocionais e psicológicos, como estresse, ansiedade e qualidade das relações, fatores que impactam diretamente a saúde no dia a dia.


Prevenção reduz custos e evita complicações graves

Outro ponto importante é o impacto financeiro. Segundo especialistas, investir em exames de rotina e acompanhamento médico pode evitar gastos elevados com internações e tratamentos complexos.

De forma geral, a prevenção e o acompanhamento médico tendem a reduzir o risco de situações como internações, urgências e tratamento mais complexos uma vez que ajudam a evitar a doença, a detecção precoce ou minimizar fatores de risco antes que virem complicações. Esse processo evita gastos maiores uma vez que a prevenção evita ou no limite, adia complicações graves que normalmente trazem por consequências gastos com internações de urgência (por exemplo, crise de diabetes, hipertensão, infarto, AVC etc.), cirurgias de emergência ou procedimentos de alto custo ou ainda tratamento de longo prazo com medicações caras e reinternações”, explica o professor Cristiano Corrêa.


Corpo pode se adaptar silenciosamente a doenças

Eucimara reforça que muitos problemas de saúde evoluem sem sintomas claros, o que torna o acompanhamento ainda mais essencial.

Às vezes, o nosso organismo se comporta como um sapo colocado em uma panela com água fria. Se essa água for aquecida aos poucos, ele vai se adaptando gradualmente ao aumento da temperatura. O problema surge quando o calor se torna insuportável e ele já não consegue reagir. Da mesma forma, o corpo humano se adapta lentamente a determinados problemas de saúde ou fatores de risco. Esse processo pode ocorrer de forma silenciosa, sem sintomas perceptíveis. Porém, existe um limite, um ponto em que o organismo já não consegue mais compensar. É nesse momento que surgem os sintomas e as complicações — e pode ser tarde demais. Por isso, na Medicina de Família e Comunidade, insistimos tanto na prevenção e no acompanhamento regular”, alerta.

Foto: Divulgação

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