Exposição gratuita de Jó Sales estreia em Belém com obras inéditas sobre a Amazônia
Mostra “Amazônia Violada”, em cartaz no Fórum Landi, reúne pinturas, esculturas, poesia e trilha sonora para refletir sobre memória, ancestralidade, resistência e desafios contemporâneos
A exposição gratuita “Amazônia Violada”, do artista visual paraense Jó Sales, abriu uma nova temporada no Fórum Landi, na Cidade Velha, em Belém. A mostra reúne obras inéditas e convida o público a refletir sobre a Amazônia contemporânea a partir de temas como memória, resistência, ancestralidade, colonização, desmatamento e apagamento cultural.
Nascido em Capanema, no nordeste do Pará, Jó Sales construiu sua trajetória artística a partir das vivências, paisagens e histórias da região amazônica. Agora, o artista retorna ao circuito cultural de Belém com uma versão ampliada da mostra, que já recebeu mais de 10 mil visitantes durante a primeira temporada, realizada na programação oficial da COP30, em 2025.
Aberta ao público até 11 de julho de 2026, a exposição integra a programação do Projeto Circular e apresenta um percurso imersivo formado por pinturas, esculturas, poesia, trilha sonora original e elementos simbólicos da própria floresta.
Amazônia Violada propõe reflexão sobre memória e resistência
A mostra “Amazônia Violada” apresenta um olhar sensível e crítico sobre diferentes dimensões da região amazônica. Ao longo do percurso, o público é convidado a refletir sobre ancestralidade, exploração da floresta, mineração, violência contra mulheres, impactos da colonização e os conflitos sociais, ambientais e políticos que atravessam a Amazônia.
Para Jó Sales, a arte permite aproximar o público de questões que muitas vezes são tratadas apenas por meio de dados e estatísticas.
“A arte permite que essas questões sejam sentidas para além dos números e das estatísticas. A Amazônia é formada por memórias, identidades, culturas e pessoas”, destaca o artista.
Mostra conduz visitante por uma travessia pela história da Amazônia
A narrativa curatorial da exposição foi organizada como uma jornada por diferentes tempos, marcas e experiências da Amazônia.
O percurso começa com o núcleo Origem Ancestral, formado pelas obras Amazonas, Banzeiro e Cunhã. Nessa etapa, a floresta é apresentada como um território vivo, coletivo e atravessado por memórias.
Na sequência, a obra inédita Vestígios da Colonização ocupa posição estratégica na mostra. O trabalho dialoga com a arquitetura histórica da Cidade Velha e propõe reflexões sobre as marcas deixadas pelos processos coloniais na paisagem amazônica.
O visitante segue então para o núcleo Colapso e Desequilíbrio, representado por obras como Seca, Asfixia e Extinção, que abordam as consequências ambientais provocadas por décadas de exploração dos recursos naturais.
Já em A Violação, trabalhos como Código Violado, Eviscerada, Cicatrizes, Fogo, Genocídio e Fake News ampliam o debate sobre as diferentes formas de violência que atingem a Amazônia.
Ybyria é o coração da exposição
O ponto central da exposição “Amazônia Violada” é a obra Ybyria, apresentada como uma síntese das experiências humanas, culturais e ambientais da região.
Nesse momento do percurso, a Amazônia deixa de ser vista apenas como espaço geográfico e passa a ser compreendida como um corpo-território, marcado por memórias, conflitos, resistência e pertencimento.
O encerramento da mostra acontece com a obra Primavera, símbolo da capacidade de renovação da floresta e da permanência da vida diante dos desafios enfrentados pela região.
Exposição ocupa o Fórum Landi, na Cidade Velha
Realizada no Fórum Landi, um dos espaços históricos da Cidade Velha, a exposição fortalece o diálogo entre arte contemporânea, patrimônio histórico e valorização cultural da Amazônia.
A mostra também se conecta a um movimento mais amplo de incentivo à produção artística regional, ligado ao futuro Casarão Ybyria – Centro de Arte e Cultura da Amazônia, projeto voltado à formação de artistas, preservação da memória e difusão da cultura amazônica.
Com entrada gratuita, “Amazônia Violada” reforça o papel da arte como ferramenta de reflexão e convida o público a enxergar a Amazônia para além da paisagem, reconhecendo-a como território vivo, diverso e essencial para a identidade brasileira.
Serviço
Exposição: Amazônia Violada – Segunda Temporada
Artista: Jó Sales
Local: Fórum Landi
Endereço: Praça do Carmo, Cidade Velha, Belém (PA)
Período: 7 de junho a 11 de julho de 2026
Visitação: segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 18h; sábados, das 9h às 12h
Instagram: @amazoniaviolada
Entrada: gratuita
Foto: Luiza Quemel (@rioberaarte)