“Ideias para adiar o fim do mundo” será apresentado entre os dias 17 e 21 de junho e propõe reflexões sobre humanidade, natureza, povos indígenas e futuro do planeta
O espetáculo “Ideias para adiar o fim do mundo”, inspirado na obra do escritor, pensador e líder indígena Ailton Krenak, chega à Caixa Cultural Belém nesta semana. A montagem será apresentada nos dias 17, 18, 20 e 21 de junho de 2026, com sessões que convidam o público a refletir sobre a relação entre humanidade e natureza, os impactos da colonização e os modos de vida dos povos indígenas no Brasil.
Protagonizada pelo ator indígena Yumo Apurinã, a peça transforma em linguagem cênica algumas das principais reflexões de Krenak sobre o mundo contemporâneo, a crise ambiental e a necessidade de imaginar outros futuros possíveis. A temporada em Belém ganha significado especial por ocorrer na Amazônia, território central nos debates sobre preservação ambiental, culturas ancestrais, populações tradicionais e desenvolvimento sustentável.
“Ideias para adiar o fim do mundo” será apresentado em Belém
A montagem de “Ideias para adiar o fim do mundo” foi idealizada pelo diretor e dramaturgo João Bernardo Caldeira, a partir do desejo de levar ao teatro as discussões propostas por Ailton Krenak. O processo criativo ganhou novos caminhos com a participação de Yumo Apurinã, que também contribuiu para a construção dramatúrgica do espetáculo.
No palco, a obra aborda temas como a formação do Brasil, os efeitos da colonização, a marginalização de saberes tradicionais e os desafios enfrentados pelos povos originários. A peça propõe uma mudança de olhar sobre a ideia de progresso e questiona a separação entre ser humano e natureza.
Para João Bernardo Caldeira, apresentar o espetáculo em Belém amplia o diálogo com questões diretamente ligadas ao território amazônico.
“Trazer o espetáculo para a Amazônia tem um significado especial porque muitas das questões presentes na obra de Krenak atravessam diretamente este território”, destaca o diretor.
Espetáculo discute povos indígenas, ancestralidade e futuro
Um dos pontos centrais da montagem é a presença de Yumo Apurinã interpretando a si mesmo. Em cena, ele compartilha experiências de um homem do povo Apurinã que, evangelizado na infância, busca reconstruir sua relação com a ancestralidade.
Nascido em Rondônia e morador da região Sudeste, Yumo leva ao palco vivências marcadas por deslocamentos, pertencimento e pelos estereótipos ainda impostos aos indígenas no Brasil contemporâneo.
“Sou constantemente colocado à prova. Meu corpo não corresponde ao ‘índio’ do imaginário da cidade, mas também não me encaixo em outras classificações. Ainda assim, sei quem sou: um Pupỹkary Apurinã”, afirma o ator.
A partir dessa trajetória, o espetáculo convida o público a pensar sobre quais histórias foram valorizadas na formação do Brasil e quais saberes foram silenciados ao longo do tempo.
Amazônia amplia o sentido da temporada em Belém
A temporada de “Ideias para adiar o fim do mundo” em Belém ganha uma camada simbólica por acontecer na maior floresta tropical do planeta e em uma das regiões mais importantes para o equilíbrio ambiental global.
A Amazônia concentra desafios complexos que envolvem a preservação de culturas ancestrais, a proteção dos recursos naturais, o combate à pobreza e a valorização de povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas.
Nesse contexto, a peça propõe uma reflexão sobre a urgência de “reflorestar os imaginários”, expressão usada pela produção para indicar a necessidade de criar novas narrativas sobre o Brasil, a natureza e os futuros possíveis.
Segundo João Bernardo Caldeira, talvez não seja possível imaginar futuros diferentes sem reelaborar as histórias que contamos sobre nós mesmos.
Atividade gratuita reúne Yumo Apurinã e Márcia Kambeba
Além das apresentações, a temporada na Caixa Cultural Belém contará com a atividade gratuita “Histórias para adiar o fim”, no dia 20 de junho, às 16h.
O encontro reunirá Yumo Apurinã e a escritora, poeta, geógrafa e ativista indígena Márcia Kambeba, ampliando o diálogo sobre ancestralidade, memória, território, cultura indígena e preservação da vida.
A programação reforça o caráter formativo da temporada e aproxima o público de reflexões que atravessam a obra de Ailton Krenak, especialmente no que diz respeito à crítica ao modelo de civilização baseado na exploração ilimitada da natureza.
Obra de Ailton Krenak inspira debate sobre humanidade e natureza
Na obra que inspira o espetáculo, Ailton Krenak questiona a ideia de uma humanidade única, universal e desconectada da Terra. Suas reflexões apontam para a necessidade de reconhecer diferentes formas de existir, aprender e conviver com o planeta.
Ao levar essas provocações para o teatro, “Ideias para adiar o fim do mundo” propõe ao público uma experiência sensível e política, sem perder de vista a força da memória, da escuta e das narrativas indígenas.
Mais do que adaptar um livro para o palco, a montagem busca criar um espaço de encontro entre diferentes cosmologias, histórias e modos de compreender o Brasil.
Serviço
Espetáculo: “Ideias para adiar o fim do mundo”
Local: Caixa Cultural Belém
Endereço: Avenida Marechal Hermes, S/N, Armazém 6A, Reduto, Porto Futuro II
Datas: 17, 18, 20 e 21 de junho de 2026
Horários: quarta, quinta, sábado e domingo, às 19h; domingo também com sessão extra às 16h
Ingressos: R$ 30 inteira e R$ 15 meia
Vendas: site da Caixa Cultural e bilheteria física, das 11h às 19h
Classificação indicativa: 12 anos
Observação: não haverá sessão no dia 19 de junho em razão do jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo