Álbum reúne 12 composições autorais, projetou a música paraense para o mundo e consolidou Dona Onete como uma das grandes vozes da cultura amazônica
O álbum “Banzeiro”, de Dona Onete, completa uma década como um dos trabalhos mais importantes da música paraense contemporânea. Lançado em junho de 2016, o segundo disco da artista ajudou a levar para o Brasil e para o mundo referências sonoras, culturais e afetivas do Pará.
Com 12 composições autorais, o projeto reúne elementos do carimbó, do bolero, do banguê e da canção popular, criando uma sonoridade marcada pelo cotidiano amazônico, pelos sabores regionais, pela oralidade paraense e pela vivência de Dona Onete.
“Banzeiro” leva o Pará para além das fronteiras
No álbum, o universo amazônico aparece em imagens que remetem ao jambu, às ervas medicinais, aos frutos regionais, ao movimento das embarcações na Baía do Guajará e ao cotidiano do Ver-o-Peso, em Belém.
Esse repertório simbólico transformou “Banzeiro” em uma obra diretamente conectada à identidade cultural do Pará. Ao mesmo tempo, o disco ampliou a circulação da artista em palcos nacionais e internacionais, aproximando novos públicos da musicalidade amazônica.
Ao celebrar os dez anos do álbum, Dona Onete destacou a emoção de ver o trabalho seguir vivo. A artista afirmou que o disco carrega histórias, sabores, cores e sons da terra paraense, além de levar “um pedacinho do Pará para o mundo”.
Produção musical tem assinatura de Pio Lobato
A produção musical de “Banzeiro” é assinada por Pio Lobato, que também gravou as guitarras do projeto. A banda base contou ainda com JP Cavalcante na percussão, Vovô na bateria e Breno Oliveira no contrabaixo.
Entre as faixas do álbum estão “Tipiti”, “Banzeiro”, “Proposta Indecente”, “No Sabor do Beijo” e “No Meio do Pitiú”, música que ganhou projeção própria e se tornou um dos principais registros associados ao imaginário do Ver-o-Peso.
Com milhões de reproduções nas plataformas digitais e no YouTube, o álbum permanece como uma das obras mais conhecidas da carreira de Dona Onete.
Álbum ampliou a presença internacional de Dona Onete
Com “Banzeiro”, Dona Onete fortaleceu sua projeção fora do Pará e passou a circular com mais força em festivais e palcos internacionais. O álbum alcançou destaque em rankings de música mundial e ajudou a consolidar a artista como uma das principais representantes da cultura popular amazônica.
Em 2018, a faixa-título ganhou nova versão na voz de Daniela Mercury, misturando axé e carimbó. A releitura ampliou ainda mais o alcance da canção e levou o nome de Dona Onete a outros públicos.
Já em 2024, “Banzeiro” voltou a repercutir nacionalmente após ser cantado no Big Brother Brasil pela participante paraense Alane Dias, reforçando a força da música como símbolo da cultura do Norte.
Dona Onete: da pesquisa cultural aos grandes palcos
Professora, pesquisadora, compositora e guardiã da cultura popular amazônica, Dona Onete iniciou a carreira solo após os 70 anos. Antes de se tornar conhecida nacionalmente, construiu uma trajetória ligada ao estudo, à valorização e à preservação das tradições culturais do Pará.
Depois do álbum de estreia, “Feitiço Caboclo”, foi com “Banzeiro” que a artista ampliou sua presença na cena musical brasileira e internacional. A partir do disco, sua obra passou a alcançar países da América Latina, Europa, Estados Unidos e Sudeste Asiático.
Aos 87 anos, Dona Onete segue como uma das vozes mais importantes da música amazônica. Em 2025, participou de eventos de grande visibilidade, como o Amazônia Live – Hoje e Sempre, em Belém, e o festival The Town, em São Paulo, ao lado de outras artistas paraenses.
Legado de “Banzeiro” segue vivo na cultura paraense
Dez anos depois, “Banzeiro” permanece como um marco na carreira de Dona Onete e na história recente da música brasileira. O disco não apenas projetou a artista nacionalmente, mas também ajudou a reafirmar a potência da cultura amazônica no cenário musical.
Ao unir memória, território, humor, sensualidade, cotidiano e ancestralidade, Dona Onete transformou o álbum em uma obra de identidade profunda. Mais do que um disco, “Banzeiro” se tornou um retrato sonoro do Pará.
Foto: Divulgação