Casos de picadas de cobra aumentam em Belém durante o inverno amazônico; veja como se proteger
O número de acidentes com cobras voltou a crescer em Belém com a intensificação das chuvas típicas do inverno amazônico. Levantamento recente do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Belém (Ciatox), ligado à Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), aponta aumento das ocorrências tanto na área urbana quanto em regiões insulares como Combu e Mosqueiro.
Segundo os técnicos do serviço, o avanço das chuvas altera o comportamento das serpentes, que passam a buscar locais secos e abrigados, muitas vezes próximos às residências. A situação acende um alerta para cuidados redobrados, principalmente em bairros com áreas alagáveis, terrenos com vegetação densa e proximidade de igarapés.
🐍 Por que as cobras aparecem mais nessa época?
Durante os meses chuvosos, o solo encharcado e a elevação do nível da água forçam as serpentes a se deslocarem. Esse movimento aumenta a chance de encontros acidentais com humanos. De acordo com o Ciatox, esse padrão é sazonal e se repete todos os anos no período de chuvas intensas.
Entre os registros atendidos na capital, a jararaca é a espécie mais frequentemente associada aos acidentes. Apesar disso, especialistas reforçam que as cobras não atacam sem motivo e cumprem papel essencial no equilíbrio ambiental.
🌿 Onde o risco é maior em Belém?
As equipes de saúde identificam maior incidência de casos em locais como:
- Quintais com mato alto ou entulho
- Terrenos baldios
- Áreas próximas a igarapés
- Jardins pouco iluminados
- Regiões de várzea e ilhas
Ambientes com acúmulo de lixo e restos de materiais de construção também favorecem a presença de roedores, principal fonte de alimento das serpentes.
🚫 Mitos perigosos ainda colocam vidas em risco
Apesar dos avanços no atendimento médico, ainda são comuns práticas baseadas em crenças populares que agravam o quadro clínico. O consumo de álcool, o uso de torniquetes e cortes no local da picada continuam sendo atitudes equivocadas.
Especialistas alertam que essas ações não neutralizam o veneno e podem causar complicações graves, como infecções, necrose e agravamento da circulação sanguínea.
🚑 Fui picado por uma cobra: o que fazer imediatamente?
O Brasil dispõe de um tratamento eficaz contra envenenamentos por serpentes: o soro antiofídico, distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em Belém, os prontos-socorros estão preparados para esse tipo de atendimento.
O que fazer:
- Lavar o local da picada apenas com água e sabão
- Manter a pessoa calma e deitada
- Elevar o membro afetado
- Procurar atendimento médico o mais rápido possível
- Se for seguro, registrar a cobra em foto para facilitar a identificação
O que não fazer:
- Não fazer torniquete
- Não cortar ou sugar o local
- Não aplicar substâncias caseiras
- Não ingerir bebidas alcoólicas
O Ciatox, sediado no Hospital Universitário João de Barros Barreto, oferece suporte técnico às equipes de saúde e orienta o encaminhamento adequado dos casos.
👢 Como evitar acidentes com cobras no dia a dia
A prevenção ainda é a principal estratégia para reduzir os acidentes. Algumas medidas simples fazem diferença:
Usar botas ou calçados fechados, especialmente em áreas alagadas
Utilizar luvas ao mexer em folhas secas, lixo ou entulho
Evitar colocar as mãos em buracos ou ocos de árvores
Manter quintais limpos e bem iluminados
Reduzir o acúmulo de materiais que possam servir de abrigo a animais
A Sesma reforça que, ao avistar uma cobra, a orientação é não tentar capturá-la ou matá-la, acionando os órgãos competentes para a remoção segura.