Estado, maior produtor do país, investe em cadeia produtiva, segurança e qualidade, gerando renda para agricultores familiares
O Pará, eleito o maior produtor de cacau do Brasil e responsável por mais da metade da produção nacional, fortalece seu protagonismo. Ações do Governo do Estado, via incentivo à cadeia produtiva e garantia da segurança e qualidade, impulsionam esse crescimento. Tal desenvolvimento impacta diretamente a economia e gera renda para os produtores locais, especialmente os agricultores familiares.
A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuária e da Pesca (Sedap) desempenha papel fundamental na cadeia produtiva, divulgando o cacau paraense. A pasta apoia eventos no Brasil e internacionalmente para impulsionar o fruto. Nesses festivais, produtores exibem amêndoas de cacau, chocolates artesanais, geleias, nibs, licores, doces, polpa de cacau e compotas.
Incentivo e apoio aos produtores
O Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva Cacauicultura no Pará (Procacau) também repassa recursos para órgãos de apoio técnico. A iniciativa inclui produção de sementes híbridas e suporte geral à produção. Há ainda o mapeamento e monitoramento de áreas agricultáveis com cacau, utilizando imagens e sensores remotos de alta resolução.
A cadeia do cacau atende 34 mil produtores no Pará, sendo 95% deles da agricultura familiar, segundo Ivaldo Santana, coordenador do Procacau. Ele destaca que o estado produz cerca de 140 mil toneladas de amêndoas de qualidade por ano. “Além do fomento da cadeia, através de recursos do FunCacau, levamos também o produtor para participar de eventos nacionais e internacionais”, afirmou.
Santana citou a participação em Amsterdã, onde dois produtores paraenses conquistaram medalha de ouro com a melhor amêndoa das Américas.
A produtora Jiovana Lunelli, de Brasil Novo, acompanhou os pais em cursos de assistência técnica desde criança. Com apoio da Sedap, ela participou de eventos nacionais e internacionais, incluindo o Salão do Chocolate em Paris.
“Esses espaços dão para a gente visibilidade e nossos produtos vão muito mais longe”, pontuou Lunelli. Atualmente, ela produz:
- Geleia
- Licor
- Castanhas drageadas
- Nib de cacau
- Creme de castanha
- Cookies
- Brownies
- Chocolate, incrementado com cupuaçu, cumaru e babaçu
A produtora também ampliou a produção e conquistou o selo da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará). O selo certifica a produção de alimentos, garantindo higiene, qualidade e segurança ao consumidor.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), via Sedap, entregou cinco escolas industriais. Os municípios beneficiados são Igarapé-Miri, Medicilândia, Altamira, Castanhal e Tomé-Açu. Uma unidade móvel também capacita empreendedores em diversas cidades interessadas em produzir chocolates e derivados.
Assistência técnica e extensão rural
A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) desenvolve ações para fortalecer a cacauicultura. Cristiane Corrêa, coordenadora técnica, explica que o foco é o serviço especializado, que inclui acompanhamento técnico. O órgão oferece orientação sobre manejo, tratos culturais e boas práticas agrícolas. Além disso, apoia a implantação e renovação de áreas de cacau, qualificações, organização e comercialização.
A Emater incentiva a agregação de valor ao produto e a inserção em mercados institucionais.
Até 2026, a Emater planeja atender cerca de duas mil famílias da agricultura familiar na cadeia do cacau. O atendimento priorizará regiões estratégicas, com mais de 80 capacitações específicas, incluindo cursos presenciais e oficinas. “O apoio da Emater Pará está estruturado de forma estratégica”, disse Cristiane Corrêa.
Os objetivos são aumentar a produtividade com sustentabilidade, elevar a renda das famílias e fortalecer a bioeconomia. A Emater também visa reduzir o desmatamento com sistemas produtivos sustentáveis e consolidar o cacau como vetor estratégico do desenvolvimento rural do Pará.
O produtor Osny Ramos, de Castanhal, é atendido pela Emater e especializa-se em amêndoas finas de cacau. “Ganhamos o concurso do Festival de Chocolate do Pará e isso nos trouxe para o mundo do chocolate”, relatou.
Ramos está implantando uma pequena fábrica, a Calpé Cacau e Chocolate. Ele destaca a parceria do governo, via eventos e apoio técnico da Emater e de órgãos de extensão rural.
Defesa fitossanitária e segurança
Evitar a entrada da Monilíase do cacaueiro (Moniliophthora roreri) é um dos maiores desafios fitossanitários. A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) atua com levantamentos de detecção em municípios produtores e rotas de risco.
Ações da Adepará incluem fiscalização rigorosa do trânsito de frutos e mudas de cacau. Também há capacitação de produtores para identificar precocemente sintomas de pragas e notificar a agência. O órgão reforça a aquisição de equipamentos e a contratação de pessoal para forças-tarefa de prevenção.
“O Pará vive um momento de protagonismo mundial no cacau”, afirmou Rafael Haber, gerente de Defesa Vegetal da Adepará. Ele destacou que o órgão trabalha para um crescimento sustentável e seguro, com prioridade em manter o estado livre da Monilíase.
Haber detalhou a atuação com vigilância constante nas fronteiras e forte trabalho educativo com produtores rurais. “Garantir a sanidade das lavouras é proteger a economia de milhares de famílias paraenses e assegurar que nosso chocolate seja reconhecido pela pureza e qualidade superior no mercado internacional”, completou.
Reconhecimento internacional
Produtores da Região de Integração do Xingu conquistaram o ouro no concurso de melhor cacau do mundo. Leomar Vieira, de Medicilândia, e Gilmar Batista, de Uruará, receberam a premiação em fevereiro, em Amsterdã, na Holanda.
O concurso “Cacau de Excelência” reúne as 50 melhores amêndoas do planeta e seleciona as “melhores entre as melhores”.
Foto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará