Mais de 35 mil pessoas lotam ruas de Belém no 1º Arrastão do Pavulagem 2026

Mais de 35 mil pessoas lotam ruas de Belém no 1º Arrastão do Pavulagem 2026
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Primeiro cortejo do Arraial do Pavulagem levou música, dança, cultura amazônica e mais de 1.200 brincantes às ruas do centro de Belém do Pará

Mais de 35 mil pessoas participaram, neste domingo (14), do 1º Arrastão do Pavulagem 2026, que marcou a abertura da quadra junina em Belém do Pará. O cortejo reuniu famílias, crianças, jovens, adultos e idosos em uma grande celebração da cultura popular amazônica, com música, dança, canto, batucada e expressões tradicionais do São João paraense.

Reconhecido como Patrimônio Cultural de Belém, Patrimônio Cultural do Estado do Pará e Manifestação da Cultura Nacional, o Arraial do Pavulagem ainda realizará mais três cortejos gratuitos nos próximos domingos, dando continuidade a uma das programações juninas mais tradicionais da capital paraense.

Batalhão da Estrela conduz cortejo pelas ruas de Belém

O primeiro Arrastão do Pavulagem 2026 contou com mais de 1.200 brincantes do Batalhão da Estrela, que conduziram o público pelas ruas do centro de Belém ao som de toadas de boi, carimbós, xotes, quadrilhas, retumbões e outros ritmos que formam a identidade musical dos cortejos.

Durante o percurso, o público também acompanhou músicas do EP “Bandeira de Guarnição”, lançado este ano pelo Arraial do Pavulagem. O trabalho reúne cinco canções inéditas inspiradas no tema escolhido para a edição de 2026.

A programação começou pela manhã, em frente ao Theatro da Paz, com a tradicional Roda Cantada, formada por músicos e instrutores do Batalhão da Estrela. Nas semanas anteriores ao cortejo, o grupo realizou ensaios abertos e encontros de preparação para ensinar músicas, fortalecer os laços comunitários e preparar os brincantes para os arrastões.

Boi Pavulagem aparece no Theatro da Paz e emociona o público

Um dos momentos mais aguardados do primeiro Arrastão do Pavulagem foi a aparição do Boi Pavulagem na varanda do Theatro da Paz, por volta das 10h. A cena marcou oficialmente o início do cortejo e emocionou o público presente.

A cada ano, o boi recebe novos bordados, cores e detalhes produzidos por artesãos do bairro do Guamá, parceiros históricos do Arraial do Pavulagem. Por isso, a aparição no Theatro da Paz também representa a primeira apresentação pública desse trabalho artesanal, que acompanha todo o ciclo dos arrastões.

O encontro entre o Boi Pavulagem e o Theatro da Paz carrega forte simbolismo. De um lado, está um dos principais símbolos culturais de Belém, inaugurado em 1878. Do outro, uma manifestação popular construída nas ruas e mantida viva pela participação da população.

Após a aparição do boi, o cortejo seguiu pela Avenida Presidente Vargas e pela Rua Municipalidade até a Praça Waldemar Henrique, onde ocorreu o show da banda Arraial do Pavulagem, grupo musical que deu origem aos arrastões em 1987.

Tema “Bandeira de Guarnição” valoriza cuidado, pertencimento e saberes amazônicos

Os Arrastões do Pavulagem 2026 têm como tema “Bandeira de Guarnição”, que propõe reflexões sobre cuidado, proteção, convivência, pertencimento e transmissão de saberes entre gerações.

A proposta também reforça a importância de preservar e compartilhar os conhecimentos tradicionais de mestras e mestres da Amazônia, valorizando histórias de vida, práticas culturais e formas de aprendizado que atravessam o tempo.

Além de orientar os elementos visuais dos cortejos, o tema inspira o repertório musical deste ano, incluindo as cinco canções inéditas lançadas pelo Arraial do Pavulagem.

Arraial do Pavulagem reafirma força da cultura popular amazônica

Para o músico e cofundador do Arraial do Pavulagem, Júnior Soares, o cortejo representa uma manifestação cultural construída de forma coletiva pela população.

“O Arrastão pertence ao povo. O que a gente vê nas ruas é muito mais do que um cortejo. É um encontro de gerações, de memórias, de saberes, de afetos e de pessoas que reconhecem nessa manifestação uma parte importante da sua própria história”, afirmou.

Segundo ele, a celebração segue crescendo porque a população participa, acredita e ajuda a manter viva a cultura amazônica nas ruas de Belém.

O músico e também cofundador Ronaldo Silva destacou que realizar mais uma edição do Arrastão do Pavulagem é dar continuidade a um trabalho coletivo construído há quase quatro décadas.

“Cada Arrastão carrega o trabalho de muitas pessoas e o legado de gerações que ajudaram a construir essa história. Quando vemos as ruas tomadas por famílias inteiras, percebemos que essa manifestação continua cumprindo seu papel de fortalecer vínculos, criar pertencimento e manter viva a cultura popular amazônica”, ressaltou.

Arraial do Pavulagem é patrimônio cultural de Belém, do Pará e do Brasil

O Arraial do Pavulagem possui reconhecimento como Patrimônio Cultural de Belém, por meio da Lei Municipal nº 9.305, de 12 de julho de 2017; Patrimônio Cultural do Estado do Pará, pela Lei Estadual nº 9.108, de 17 de agosto de 2020; e Manifestação da Cultura Nacional, conforme a Lei Federal nº 14.961, de 4 de setembro de 2024.

Os Arrastões do Pavulagem 2026 têm criação e produção do Instituto Arraial do Pavulagem, apresentação da Lei Semear, Fundação Cultural do Pará e Governo do Pará, além de patrocínio da Equatorial Energia.

A programação conta ainda com parceria de Ferry Boat Amazonas, Blois & Oliveira Assessoria Contábil, Espaço Ideia Soluções, CONCAVES e Point do Açaí D’Amazônia, com apoio cultural da Prefeitura de Belém, Sesc Pará, TV Liberal e Secretaria de Cultura do Estado do Pará.

Próximos Arrastões do Pavulagem 2026

Os próximos Arrastões do Pavulagem 2026 serão realizados nos dias 21 e 28 de junho e 5 de julho, sempre com programação gratuita no centro de Belém.

Serviço: Arrastões do Pavulagem 2026
Datas: 21 e 28 de junho e 5 de julho
Horário: 9h, com Roda Cantada em frente ao Theatro da Paz
Saída do cortejo: 10h
Trajeto: Theatro da Paz → Avenida Presidente Vargas → Rua Municipalidade → Praça Waldemar Henrique
Encerramento: show do Arraial do Pavulagem na Praça Waldemar Henrique

Foto: Filipe Bispo

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