A repercussão de um suposto vídeo íntimo atribuído ao pré-candidato ao Governo do Pará, Daniel Santos, voltou a colocar em evidência um tema que preocupa autoridades de saúde pública: a prevenção ao HIV e às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). As imagens, que circulam nas redes sociais desde a última segunda-feira (3), mostrariam o político mantendo relação sexual sem o uso aparente de preservativo. A autenticidade do vídeo e as circunstâncias em que ele foi gravado, no entanto, não foram confirmadas oficialmente.
Embora o episódio não tenha qualquer relação comprovada com a condição de saúde do pré-candidato, especialistas destacam que situações de grande repercussão costumam ampliar o alcance de discussões sobre prevenção e comportamento sexual seguro. Para profissionais da área, o momento também serve para reforçar informações sobre formas de proteção e conscientizar a população, principalmente em um estado que concentra alguns dos indicadores mais elevados do país relacionados ao HIV.
Pará está entre os estados com maiores índices de HIV
Dados do Ministério da Saúde mostram que o Pará continua figurando entre os estados brasileiros com as maiores taxas de detecção de HIV e aids, cenário que mantém o estado em alerta permanente para ações de prevenção, diagnóstico e tratamento. Ao longo dos últimos anos, dezenas de milhares de pessoas passaram a conviver com o vírus no território paraense, refletindo a necessidade de ampliar o acesso à informação e aos serviços de saúde.
A situação é ainda mais expressiva em Belém. Conforme o Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2024, com dados referentes a 2023, a capital paraense ocupa a segunda posição entre as capitais brasileiras com maior número de pessoas vivendo com HIV/Aids, ficando atrás apenas de Porto Alegre (RS). O levantamento reforça a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas ao enfrentamento da infecção, especialmente entre populações mais vulneráveis.
Além da capital, outros municípios paraenses também aparecem com frequência entre aqueles que apresentam elevados índices de detecção da doença, o que reforça o desafio enfrentado pelo sistema público de saúde na região.
Especialistas reforçam prevenção
Diante desse cenário, profissionais de saúde lembram que o HIV continua sendo transmitido principalmente por relações sexuais sem preservativo, além do compartilhamento de seringas e outros materiais perfurocortantes contaminados e da transmissão vertical — de mãe para filho durante a gestação, o parto ou a amamentação — quando não há acompanhamento e tratamento adequados.
Por isso, o uso do preservativo segue sendo apontado como uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de infecção. Especialistas também orientam que a população realize testagem regularmente, sobretudo após situações de exposição, já que o diagnóstico precoce permite o início imediato do tratamento e reduz significativamente a transmissão do vírus.
Outra estratégia disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), indicada para pessoas com maior vulnerabilidade à infecção. Também existe a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que pode ser utilizada em situações de risco e deve ser iniciada em até 72 horas após a exposição ao vírus.
Tratamento impede transmissão do vírus
Os especialistas destacam ainda que o avanço do tratamento antirretroviral mudou a realidade das pessoas que vivem com HIV. Atualmente, pacientes que seguem corretamente o tratamento e alcançam carga viral indetectável deixam de transmitir o vírus por via sexual, princípio reconhecido internacionalmente como “Indetectável = Intransmissível (I=I)”.
Para profissionais da saúde, debates motivados por fatos de grande repercussão pública podem contribuir para ampliar a conscientização sobre prevenção, desde que a discussão seja baseada em informações corretas e sem estigmatizar pessoas ou associar, sem evidências, comportamentos individuais a uma condição de saúde.
Em um estado que segue entre os mais afetados pelo HIV no Brasil, especialistas reforçam que a combinação entre informação, prevenção, testagem e tratamento continua sendo a principal estratégia para reduzir novos casos e combater a desinformação sobre a doença.