O ofício dos abridores de letras e a tradicional arte presente nos barcos da Amazônia passaram a ser reconhecidos como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Pará. A medida foi oficializada por meio da Lei nº 11.627, publicada no Diário Oficial do Estado.
O reconhecimento contempla tanto os mestres responsáveis pela pintura das embarcações quanto a identidade visual criada por eles, marcada por letras ornamentadas, cores vibrantes e traços que se tornaram um dos símbolos da cultura ribeirinha paraense.
A tradição surgiu na década de 1920, quando a identificação das embarcações passou a ser obrigatória. Com o passar do tempo, a exigência deu origem a uma linguagem artística própria, transmitida entre gerações e incorporada à identidade cultural da Amazônia.
Além de identificar os barcos, as pinturas costumam reunir referências religiosas, familiares e elementos da natureza, refletindo a relação das comunidades ribeirinhas com os rios e seu modo de vida.
A nova legislação busca fortalecer a preservação desse saber tradicional, incentivar a formação de novos abridores de letras e ampliar ações voltadas à valorização desse patrimônio cultural no Estado.