Um projeto cultural vai percorrer quatro municípios do Pará para registrar histórias, saberes e manifestações culturais de diferentes comunidades. O “Conexão Arandu: Memórias do Tempo Espiralar” começa neste sábado (26), em Irituia, e passará ainda por Primavera, Bragança e Belém.
A iniciativa é viabilizada pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB 2026) e busca aproximar as comunidades de suas próprias memórias, com participação de mestres e mestras de cultura de cada território.
O percurso será feito entre os rios Irituia, Capim, Maguari e Caeté. A proposta é reunir experiências de áreas urbanas, rurais, periféricas e de povos e comunidades tradicionais, registrando conhecimentos que fazem parte do cotidiano desses locais.
Projeto terá quatro guardiãs de memória
Cada cidade terá uma mulher responsável por representar e compartilhar parte das memórias do território. As quatro guardiãs são Mestra Izanete Cordeiro, de Irituia; Mestra Maria Célia Martins, de Primavera; Mestra Odalice Aviz, de Bragança; e Mestra Ila Falcão, de Belém.
O projeto pretende registrar relatos, imagens, sons, objetos, manifestações e outros elementos apresentados durante as atividades. O material poderá posteriormente ser utilizado em publicações, plataformas digitais e outras formas de preservação da memória.
A ideia é fazer com que esses registros também possam chegar a crianças e adolescentes, aproximando as novas gerações das histórias e referências culturais dos lugares onde vivem.
“O que queremos é identificar os protagonismos, trazer para cena o eco das vozes que tornaram possível chegarmos hoje a esta conexão”, afirma a coordenadora geral e curadora Rosilene Cordeiro.
Irituia abre programação neste sábado
Irituia será a primeira parada do projeto. A escolha do município também está relacionada à trajetória familiar, artística e acadêmica de Rosilene Cordeiro.
A programação será realizada das 9h às 16h, no Centro de Convivência da Melhor Idade, no bairro Centro. As atividades são gratuitas e não exigem inscrição prévia.
A agenda inclui roda de memória, oficinas culturais, mostra expositiva, apresentações artísticas, mesa compartilhada e ações voltadas à acessibilidade.
A primeira atividade será a Acolhida Ancestral e Roda de Memória, acompanhada da oficina “Conexão ARANDU”, com troca de histórias e conhecimentos relacionados ao território.
Também estão previstas oficinas sobre expressão artística, patrimônio material e imaterial, economia criativa e letramento racial.
A mostra pública terá apresentações de dança, música, teatro e manifestações populares, além da participação de mestras e mestres locais, redes de mulheres, jovens e pessoas LGBTQIAPN+.
Percurso segue até Belém
Depois de Irituia, o Conexão Arandu seguirá para Primavera, em 21 de novembro, e depois para Bragança, em dezembro. A última etapa será realizada em Belém, em janeiro de 2027. As datas das atividades em Bragança e na capital ainda serão divulgadas.
Em cada município, a programação será construída a partir das características e referências culturais encontradas durante a passagem pelo território.
O projeto também prevê o registro das experiências ao longo do percurso. O material será acompanhado pelo poeta, jornalista, escritor, professor e diretor de cinema Francisco Weyl, doutor em Artes pela UFPA.
Segundo a organização, o objetivo é que a circulação não termine com a realização das atividades, mas deixe registros que possam continuar sendo utilizados pelas próprias comunidades.
Serviço
Conexão Arandu – Memórias do Tempo Espiralar
Quando: sábado (26), das 9h às 16h
Onde: Centro de Convivência da Melhor Idade, bairro Centro, Irituia (PA)
Entrada: gratuita
Inscrição: não é necessária
Informações: @porongadamemoria_