Processo ocorre após sucessivas paralisações motivadas por salários e benefícios atrasados. Informação ainda aguarda confirmação oficial da Segbel.
A empresa Auto Viação Monte Cristo pode perder definitivamente a autorização para operar linhas do transporte coletivo de Belém. Segundo informações divulgadas pelo perfil R27Buss e repercutidas pela imprensa local, o processo de cassação conduzido pela Secretaria de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel) estaria em fase avançada.
Com a eventual conclusão do procedimento, outras empresas poderão ser habilitadas para assumir os itinerários atualmente atendidos pela Monte Cristo. Até a publicação desta matéria, porém, não havia sido localizado comunicado oficial da Prefeitura ou ato da Segbel confirmando a conclusão da cassação.
Pedreira-Lomas pode mudar de empresa
Entre os itinerários afetados está a tradicional linha Pedreira-Lomas, uma das mais conhecidas e extensas de Belém. A possibilidade de transferência, no entanto, já vinha sendo discutida antes da divulgação do processo de cassação.
Em junho, informações do setor apontaram que a Viação Santa Rosa estava se preparando para assumir a operação da Pedreira-Lomas A, de número 443. Cerca de dez ônibus estariam sendo caracterizados para atender ao itinerário.
Rodoviários cobram salários atrasados
O avanço do processo ocorre após uma série de paralisações realizadas pelos trabalhadores da Monte Cristo. Na quarta-feira (22), rodoviários bloquearam um trecho da avenida Almirante Barroso, no bairro do Marco, para cobrar o pagamento de salários e benefícios.
Segundo o sindicato da categoria, parte dos funcionários está sem receber os vencimentos referentes a abril, maio e junho. Os trabalhadores também denunciam atraso de dois meses no vale-alimentação, além de pendências relacionadas a férias e pensões alimentícias.
O protesto provocou congestionamentos e afetou a circulação de veículos no sentido de saída de Belém. Apenas a pista do BRT permaneceu parcialmente liberada durante a manifestação.
Paralisações afetam transporte público de Belém
As mobilizações dos funcionários da Monte Cristo vêm ocorrendo desde o início de 2026. De acordo com representantes dos rodoviários, ao menos cinco paralisações foram realizadas nos primeiros sete meses do ano.
Durante uma das manifestações, linhas como Sacramenta-Humaitá, Sacramenta-Bernardo Couto e Alcindo Cacela-Domingos Marreiros ficaram sem operar. A interrupção do serviço afeta diretamente milhares de passageiros que dependem do transporte público diariamente. Cerca de 100 funcionários enfrentariam pendências salariais.
Monte Cristo atua em Belém desde 1969
Fundada em 1969, a Monte Cristo é uma das empresas mais antigas do sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana de Belém. A companhia mantém garagem na avenida Visconde de Inhaúma, no bairro da Pedreira.
Atualmente, a empresa opera aproximadamente cinco linhas com uma frota estimada em 20 veículos. As dificuldades financeiras, as reduções de itinerários e os frequentes atrasos trabalhistas aumentaram as incertezas sobre a continuidade das operações.
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