Casa Sociobio destaca protagonismo de povos e comunidades tradicionais na II Semana do Clima da Amazônia

Casa Sociobio destaca protagonismo de povos e comunidades tradicionais na II Semana do Clima da Amazônia
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Painel realizado em Belém reuniu lideranças amazônicas, instituições parceiras e representantes do Governo do Pará para discutir a sociobioeconomia como caminho para a transição justa nos territórios

A Casa Sociobio destacou o protagonismo de povos e comunidades tradicionais no fortalecimento da sociobioeconomia amazônica durante painel realizado nessa quarta-feira (1º), na Arena do Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, em Belém.

Com o tema “Sociobioeconomia Viva: Povos e comunidades na liderança da transição justa nos territórios”, o encontro integrou a programação da II Semana do Clima da Amazônia e reuniu lideranças indígenas, quilombolas, extrativistas, agricultores familiares, instituições parceiras e representantes do Governo do Estado.

O debate teve como foco o papel da sociobioeconomia no desenvolvimento sustentável da Amazônia, na valorização dos saberes tradicionais e no enfrentamento das mudanças climáticas.

Sociobioeconomia como estratégia para a Amazônia

Mediado por Karoline Barros, coordenadora da Casa Sociobio, o painel reuniu diferentes perspectivas sobre os desafios e as oportunidades para fortalecer a bioeconomia amazônica a partir dos territórios.

Participaram do debate a secretária-adjunta de Bioeconomia da Semas, Camille Bemerguy; Ronaldo Amanayé, da Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa); José Ivanildo Brilhante, do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS Pará); Aurélio Borges, da Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (Malungu); Ângela Lopes, da Federação dos Trabalhadores Agricultores Familiares do Pará (Fetagri Pará); Carla Hofman, da Fundação CERTI; Joanna Martins, diretora do Tekoá Centro de Gastronomia Social; e Daniela Gaspar, professora do Cesupa.

Na abertura, Karoline Barros afirmou que a sociobioeconomia é indispensável nas discussões sobre clima por reconhecer os modos de vida das populações amazônicas e valorizar a relação entre floresta, rios, culturas e territórios.

“A sociobioeconomia é um tema indispensável nas discussões sobre mudanças climáticas. A bioeconomia dos povos e comunidades fortalece a vida da sociobiodiversidade como um todo, florestas e rios, povos e culturas, e é ferramenta importante na garantia do bem-viver e dos modos de vida dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares do Pará”, destacou.

Saberes tradicionais no centro da bioeconomia amazônica

Representando a Semas, a secretária-adjunta de Bioeconomia, Camille Bemerguy, ressaltou que o avanço da bioeconomia na Amazônia depende do reconhecimento dos conhecimentos produzidos nos territórios.

Segundo ela, um dos principais desafios é garantir que os saberes tradicionais tenham o mesmo nível de valorização da ciência acadêmica, com mecanismos que assegurem repartição justa de benefícios e participação efetiva dos povos e comunidades tradicionais.

“Um dos grandes desafios da bioeconomia é reconhecer os saberes e as ciências produzidas nos territórios amazônicos no mesmo nível da ciência acadêmica. Precisamos construir mecanismos que fortaleçam esse conhecimento, garantam a repartição justa de benefícios e assegurem que os povos e comunidades tradicionais sejam protagonistas desse processo”, afirmou.

Parque de Bioeconomia busca conectar inovação e territórios

Parceira na implantação do Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, a Fundação CERTI também participou do painel. Carla Hofman destacou que o Parque foi construído a partir da escuta dos territórios amazônicos e da articulação entre instituições, comunidades e organizações.

“O Parque nasce da combinação entre a experiência na construção de ecossistemas de inovação e, principalmente, da escuta ativa dos territórios amazônicos. Acreditamos que esse ambiente só cumprirá seu propósito quando reunir diferentes instituições, comunidades e organizações em torno de um objetivo comum: transformar as potencialidades da Amazônia em oportunidades de desenvolvimento sustentável e geração de valor para quem vive na região”, ressaltou.

Comunidades defendem reconhecimento como protagonistas

Durante o painel, José Ivanildo Brilhante, representante do CNS Pará, defendeu que a sociobioeconomia já faz parte da vivência histórica das populações tradicionais e precisa ser reconhecida como conhecimento legítimo e estratégico para a preservação da floresta.

“Essa economia viva é a nossa cultura. Ela faz parte da nossa relação com a natureza e não nasceu agora. Nós aprendemos desde sempre a viver dessa forma. Durante muito tempo isso foi tratado como atraso, mas hoje fica evidente que quem preservou a floresta sempre esteve apontando um caminho possível”, afirmou.

Ele também reforçou a necessidade de garantir que os povos tradicionais sejam tratados como protagonistas na construção de políticas públicas voltadas à bioeconomia amazônica.

“O que queremos é que os povos tradicionais sejam reconhecidos como protagonistas e que os nossos conhecimentos tenham o mesmo valor atribuído à ciência produzida na academia”, completou.

Casa Sociobio fortalece participação social na política de bioeconomia

A Casa Sociobio atua junto ao Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia com o objetivo de promover os interesses de povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares nas políticas públicas estaduais de bioeconomia.

A iniciativa busca ampliar oportunidades de investimento, parcerias e participação desses grupos no ecossistema de inovação do Parque. As organizações representadas no painel também integram o conselho diretivo da Casa Sociobio, formado majoritariamente por representantes dos próprios povos e comunidades tradicionais.

O modelo de governança foi pensado para garantir que as estratégias de sociobioeconomia estejam alinhadas às prioridades dos territórios, fortalecendo a participação social e contribuindo para uma transição justa na Amazônia.

Foto: Ag. Pará

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