Nova resolução veta aplicação de PMMA por médicos em todo o Brasil

Compartilhe

O uso do PMMA (polimetilmetacrilato) por médicos em procedimentos estéticos e reparadores passa a ser proibido em todo o país a partir desta terça-feira (2). A medida foi estabelecida pela Resolução nº 2.461/2026, publicada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) na última sexta-feira (29).

O PMMA é um material permanente e não absorvível pelo organismo, amplamente utilizado como preenchedor em procedimentos estéticos. Segundo o CFM, a decisão foi tomada após análise de estudos científicos e do histórico de complicações associadas ao produto, incluindo casos de sequelas graves e mortes.

Além da proibição, o Conselho Federal de Medicina defende que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avance para o banimento definitivo da comercialização do material no Brasil. Durante coletiva de imprensa, o presidente da entidade afirmou que pretende solicitar uma reunião com a agência para discutir a retirada do produto do mercado.

A única exceção prevista na resolução é para o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/AIDS atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), desde que sejam seguidos os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas definidos pelo Ministério da Saúde.

De acordo com o CFM, o PMMA está associado a uma série de complicações que podem surgir logo após a aplicação ou até anos depois do procedimento. Entre os principais riscos apontados estão reações inflamatórias tardias, formação de granulomas, infecções persistentes, necroses, hipercalcemia, insuficiência renal e sequelas estéticas ou funcionais permanentes.

A relatora da resolução, Graziela Bonin, destacou que o Brasil é um dos poucos países que ainda permitiam o uso do PMMA para determinados tratamentos. Segundo ela, a decisão levou em consideração experiências regulatórias internacionais e evidências científicas sobre os riscos do material.

A publicação da norma ocorre poucos dias após mais um caso fatal relacionado ao uso do produto. Na última semana, uma mulher de 48 anos morreu após passar mal em uma clínica de estética em São Paulo. Segundo informações registradas em boletim de ocorrência, ela havia realizado um procedimento com aplicação de PMMA nos glúteos e na parte superior das coxas.

Especialistas alertam que as complicações associadas ao produto podem exigir tratamentos prolongados, incluindo o uso de medicamentos imunossupressores e cirurgias complexas para retirada do material, sem garantia de reversão total dos danos causados.

0
0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários