Miguel Díaz-Canel afirmou que Cuba “não representa uma ameaça” e classificou eventuais ataques americanos como risco grave à paz regional
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta segunda-feira (18) que uma possível ação militar dos Estados Unidos contra Cuba poderia provocar um “banho de sangue” e gerar consequências graves para a estabilidade regional. A declaração foi feita em uma publicação na rede social X, em meio ao aumento das tensões entre Havana e Washington.
Na mensagem, Díaz-Canel disse que Cuba não representa uma ameaça aos Estados Unidos e afirmou que a própria ameaça de agressão militar já configuraria uma violação internacional. Segundo o presidente cubano, a ilha não tem planos de atacar qualquer país e teria direito à legítima defesa em caso de agressão.
Tensão aumenta após reportagem sobre drones em Cuba
A declaração ocorre após uma reportagem do site americano Axios afirmar que Cuba teria adquirido mais de 300 drones militares de aliados como Rússia e Irã. Segundo a publicação, autoridades americanas avaliariam possíveis discussões sobre o uso desses equipamentos contra alvos dos EUA, incluindo a base naval de Guantánamo, navios militares americanos e até Key West, na Flórida.
A reportagem, no entanto, também aponta que as informações de inteligência não indicariam um ataque iminente por parte de Cuba. Mesmo assim, o caso elevou o tom das declarações diplomáticas entre os dois países.
Governo cubano nega plano de ataque aos Estados Unidos
O governo cubano negou as acusações e afirmou que os Estados Unidos estariam construindo um “caso fraudulento” para justificar sanções econômicas ou uma possível intervenção militar em Cuba. O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, disse que o país “não ameaça nem deseja guerra”, mas se prepara para se defender diante de agressões externas.
Díaz-Canel também reforçou que Cuba já enfrenta uma “agressão multidimensional” dos Estados Unidos e afirmou que a defesa do território cubano não pode ser usada como argumento para impor uma guerra contra a população da ilha.
EUA avaliam acusação contra Raúl Castro
A troca de acusações ocorre em um momento de pressão crescente nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Segundo a Reuters, o Departamento de Justiça americano planeja apresentar acusações contra o ex-líder cubano Raúl Castro por um episódio ocorrido em 1996, quando aviões do grupo de exilados cubanos Irmãos ao Resgate foram abatidos por Cuba.
A Associated Press também informou que o caso envolve o abate de duas aeronaves Cessna operadas pelo grupo, episódio que matou quatro pessoas e marcou um dos momentos mais tensos da relação entre Havana e Washington nos anos 1990. Na época, Raúl Castro era ministro da Defesa de Cuba.
Crise amplia temor de confronto entre Cuba e EUA
As declarações de Díaz-Canel reforçam o clima de tensão no Caribe. Para o governo cubano, as acusações sobre drones fazem parte de uma tentativa de criar justificativas para novas medidas contra a ilha. Já nos Estados Unidos, autoridades avaliam riscos de segurança e acompanham possíveis movimentações militares atribuídas ao governo cubano.
O episódio reacende um histórico de confrontos políticos e diplomáticos entre Cuba e EUA, marcado por sanções, disputas ideológicas, acusações de espionagem e divergências sobre segurança regional.
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Foto: REUTERS/Norlys Perez