Organizações de direitos humanos afirmam que prisões, julgamentos opacos e penas de morte se intensificaram desde o início do conflito; ONU aponta mais de 4 mil detidos
O Irã intensificou a repressão interna e acelerou as execuções de dissidentes, manifestantes e presos políticos, segundo denúncias de organizações internacionais de direitos humanos. As entidades afirmam que o aumento das penas de morte ocorre em meio ao conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, iniciado no fim de fevereiro.
De acordo com o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, ao menos 21 pessoas foram executadas e mais de 4 mil cidadãos iranianos foram detidos desde o início da guerra. As prisões, segundo a ONU, ocorreram principalmente sob acusações ligadas à segurança nacional.
ONGs alertam para aumento de execuções no Irã
A organização Iran Human Rights afirma que as execuções no Irã passaram a ocorrer quase diariamente, atingindo níveis considerados alarmantes por ativistas. Entre os alvos estariam prisioneiros políticos, manifestantes, pessoas acusadas de espionagem e integrantes de minorias étnicas.
Para o diretor da entidade, Mahmood Amiry-Moghaddam, o regime iraniano estaria aproveitando a menor atenção internacional sobre a situação interna do país para ampliar a repressão. Segundo organizações de direitos humanos, processos judiciais têm sido acelerados e conduzidos com menos transparência.
Repressão atinge ativistas, advogados e presos políticos
Ativistas ouvidos pela imprensa internacional relatam que a situação dentro das prisões se tornou ainda mais tensa após o início da guerra. O ativista estudantil Zia Nabavi, conhecido por sua atuação em defesa de direitos civis no Irã, afirmou que as execuções sucessivas aumentaram o clima de medo entre presos políticos.
O advogado de direitos humanos Saeid Dehghan, fundador da rede YekKalameh Lawyers Network, também alertou para a aceleração de processos contra prisioneiros políticos. Segundo ele, a maior opacidade judicial pode facilitar a emissão e execução de sentenças de morte em menos tempo.
Além dos presos, juristas independentes que atuam em casos políticos também estariam sendo convocados para interrogatórios ou presos, de acordo com relatos de organizações de direitos humanos.
Internet restrita dificulta denúncias sobre violações
Desde o fim de fevereiro, a internet no Irã enfrenta fortes restrições. O regime intensificou ações contra o uso de VPNs e conexões por satélite, o que dificulta a comunicação entre ativistas, familiares de presos e organizações internacionais.
As limitações de acesso também tornam mais difícil verificar denúncias, acompanhar julgamentos e divulgar informações sobre a situação de presos políticos no Irã. Para entidades internacionais, esse cenário amplia o risco de violações ocorrerem sem transparência.
Execuções no Irã bateram recorde em 2025
O aumento recente ocorre após um ano já marcado por números recordes. Relatório divulgado por organizações como Iran Human Rights e ECPM aponta que o Irã executou ao menos 1.639 pessoas em 2025, o maior número registrado no país desde 1989. O levantamento representa uma alta de 68% em relação a 2024, quando foram registradas 975 execuções.
Segundo entidades internacionais, o país está entre os que mais aplicam a pena de morte no mundo. Organizações de direitos humanos afirmam que parte das condenações envolve acusações de segurança nacional, espionagem, participação em protestos ou suposta ligação com grupos de oposição.
Caso Narges Mohammadi preocupa ativistas
A situação da ativista Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, também foi citada por defensores de direitos humanos. Segundo relatos, ela enfrenta problemas de saúde e segue sob forte pressão. A condição de presos políticos doentes tem sido apontada por ativistas como um dos pontos mais críticos da repressão no país.
Organizações internacionais alertam ainda para o risco de repetição de padrões históricos de repressão. Ativistas citam como exemplo as execuções em massa de presos políticos ocorridas na década de 1980, no período final da Guerra Irã-Iraque.
Comunidade internacional é cobrada sobre direitos humanos no Irã
Diante da escalada, organizações de direitos humanos defendem que a situação interna do Irã seja tratada como prioridade em negociações internacionais. Para as entidades, temas como execuções, prisões arbitrárias, julgamentos sem transparência e repressão a manifestantes devem estar no centro das discussões diplomáticas.
A ONU também pediu que o Irã interrompa as execuções, adote uma moratória sobre a pena de morte, garanta julgamentos justos e liberte pessoas detidas arbitrariamente.
Foto: Omar Havana/ Reuters