Por: Thiago Baia – Consultor Financeiro Imobiliário | CEO da ICON Soluções Imobiliárias
A capital paraense fechou os últimos doze meses como a segunda cidade brasileira com maior alta no preço de imóveis residenciais. Segundo o Índice FipeZAP calculado pela Fipe com base em anúncios do grupo OLX, que reúne plataformas como Zap e Viva Real, Belém acumulou valorização de 13,43% no período, quase empatada com Fortaleza, que lidera o ranking com 13,46%. A diferença entre as duas é de apenas três centésimos de ponto percentual.
O número ganha peso quando colocado em perspectiva. A inflação oficial medida pelo IPCA no mesmo intervalo foi de 3,69%. Quem tinha um imóvel em Belém viu seu patrimônio crescer a um ritmo quase quatro vezes acima dos preços gerais da economia.
Atrás da capital cearense e da paraense aparecem Salvador (13,13%), Vitória (12,31%) e São Luís (10,88%). Das dez capitais com maior valorização no período, sete estão no Norte ou no Nordeste uma virada de protagonismo em relação ao eixo Sul-Sudeste, que historicamente concentrava as maiores altas do setor imobiliário brasileiro.
No primeiro trimestre de 2026, o desempenho de Belém foi ainda mais expressivo. A cidade registrou crescimento de 4,90% nos preços de venda o maior entre todas as capitais do país nos três primeiros meses do ano, à frente de Manaus, segundo colocado com 3,06%. A média nacional no mesmo período ficou em 1,01%.
O preço médio do metro quadrado residencial em Belém chegou a R$ 8.919 em março, segundo a amostra do índice. Entre os bairros monitorados, o Marco registrou alta de 35,7% nos últimos doze meses e o Reduto, 28,7% números que mostram que a valorização não foi uniforme e concentrou força em determinadas regiões da cidade.
O levantamento considera milhares de anúncios ativos, com foco no mercado secundário imóveis usados que mudam de mão entre compradores e vendedores diretos, excluindo lançamentos e incorporações.
Os fatores que explicam o aquecimento se repetem em toda a faixa Norte-Nordeste: crescimento da demanda por moradia, ampliação do acesso ao crédito habitacional e escassez de oferta qualificada em determinadas regiões. A tendência, segundo o comportamento do mercado, não dá sinais de reversão no curto prazo.
Fonte: Índice FipeZAP – Informe de Março de 2026 (Venda Residencial) https://www.fipe.org.br/pt-br/publicacoes/relatorios/#relatorio-fipezap