11º Festival Pan-Amazônico de Cinema: arte em diálogo com a rua

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Dispostas em uma instalação imersiva na Galeria Benedito Nunes – com paredes de vidro – videoclipes, videoartes e obras em realidade virtual alteram a paisagem e transformam passantes em espectadores durante o 11º Amazônia FiDoc

“O videoclipe não é um gênero menor dentro da imagem em movimento: é, antes, um campo de experimentação onde a linguagem audiovisual encontra sua maior liberdade formal”. A afirmação é do psicanalista, roteirista e produtor cultural Manoel Leite, que assina a coordenação de curadoria da Mostra Competitiva de Videoclipes da Pan-Amazônia, que integra o 11º Festival Pan-Amazônico de Cinema – Amazônia FiDoc. Não à toa, a linguagem ganha espaço privilegiado dentro da programação do festival, com uma instalação artística que alterou a paisagem na Av. Gentil Bittencourt: a estrutura em vidro da Galeria Benedito Nunes permite e convida que todos os passantes também se tornem espectadores, apreciando as obras exibidas em loop em telões, totens e painéis no interior do espaço expositivo. A expografia é assinada por Zienhe Castro, idealizadora e diretora geral do festival.

Hoje é a última chance de conferir a exposição, que reúne as obras “Monalisa” de Frimes, do Maranhão; “Rio Negro” de Eric Max, “Veneno” de Nauj Jama e “Madalena” de Malena, do Amazonas; e as produções paraenses “Loja de Departamentos” de Meio Amargo e “Corra!” de Kalika. Para o coordenador, um festival de cinema que incorpora e valoriza o videoclipe em seu universo não está “abrindo uma exceção”, mas discutindo o futuro da própria linguagem: “a ideia é reconhecer que o audiovisual se expande exatamente nessas bordas — onde a música encontra a imagem, a liberdade encontra o código, o curto instante ganha a mesma potência de um longo plano”, defende. 

Para Manoel, o videoclipe nunca deixou de dialogar com o cinema — e vice-versa. “O cinema emprestou ao videoclipe o enquadramento, o movimento de câmera, a luz dramática. O videoclipe devolveu ao cinema a montagem rítmica, a fragmentação espaço-temporal e a coragem de suspender a narrativa em nome da sensação. Hoje, é difícil imaginar o cinema contemporâneo sem essa troca. Filmes inteiros bebem da gramática visual do clipe, assim como clipes se apropriam de gêneros cinematográficos para subvertê-los em poucos minutos”, completa Manoel. Moana Mendes, Zienhe Castro e Monique Sobral Debouteville são as curadoras responsáveis pela mostra.

MÚLTIPLAS LINGUAGENS

Espalhados pela galeria, os videoclipes dialogam com as obras da Mostra de Videoarte da Pan-Amazônia, com curadoria da artista visual, multimídia e diretora artística Roberta Carvalho. “Sueño de una noche de selva”, de Diego Pagán e “Es difícil empezar una maloca”, de Gabriela Tello (Peru), “Artefato Arqueológico do Agora”, de Keila-Sankofa (Amazonas), “Banho de rio-paka-kapa unogene”, de Gabriel Bicho (Rondônia), “Didibuísmos”, de Marise Maués (Pará) e “Re-Florestar nossa gente”, de Hal Wildson (Mato Grosso) integram a programação.

“É interessante perceber que os vídeos selecionados não se organizam por semelhança estética, mas por uma urgência comum: a de que certas memórias precisam de formas próprias para existir. Corpo, rio, objeto, floresta, cada elemento convocado por esses trabalhos recusa o papel de cenário e assume o de sujeito. São matérias vivas, carregadas de história”, pontua Roberta. O público também poderá conferir 12 obras em realidade virtual na experiência imersiva Amazônia Mapping VR, em cartaz na galeria Benedito Nunes. 

A 11ª edição do festival conta com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet de Incentivo a Projetos Culturais, Ministério da Cultura e Governo do Brasil, com apoio cultural do Governo do Estado do Pará, Sesc/Pará, Fórum dos Festivais e Mistika. Parceria: Aliança Francesa Belém, Instituto +Mulheres, FICCI e Apex Brasil. A realização e produção são da Z Filmes e do Instituto Culta da Amazônia.

PROGRAMAÇÃO GERAL – DOMINGO, 03/05

Mostra Curumim

Local: Cinema Alexandrino Moreira – Casa das Artes
Horário: 15h

  • “Umassuma, Lascas de Memória” (PA) – 8 min
  • “O Diário de Pilar na Amazônia” (RJ) – 1h31min

Sessões especiais

Local: Museu da Imagem e do Som
15h“Belém Cidade Sound System”, com presença do diretor Felipe Pamplona
16h30“Tó Teixeira… Cotidiano e Memória”, com presença do diretor Januário Guedes

Mostra Pan-Amazônica

Local: Cine Líbero Luxardo
16h30

  • “Feridas de Asfalto” (Equador) – 14 min
  • “Morichales” (Colômbia) – 1h23min

18h30

  • “Sara” (Peru) – 15 min
  • “Varado” (Guiana Francesa) – 1h42min

Mostra Amazônia Legal

Local: Sesc Ver-o-Peso
17h

  • “Noke Koi – A Festa de um Povo Verdadeiro” (AC) – 28 min
  • “Sukande Kasáká – Terra Doente” (MT) – 30 min

18h15

  • “Umassuma – Lascas de Memória” (PA) – 8 min
  • “Visagens e Visões” (PA) – 19 min
  • “A Ascensão da Cigarra” (RO) – 19 min
  • “Como Matar um Rio” (RO) – 1h36min

Mostra Acessibilidade

Local: Casa das Artes
18h

  • “Beira” – Libras
  • “A Ascensão da Cigarra” – Libras e audiodescrição
  • “Cais” – Libras

20h

  • “Umassuma” – Libras e audiodescrição
  • “Honestino” – Libras e audiodescrição

Sobre a Petrobras

A Petrobras é uma das principais empresas do país. Atua de forma integrada e especializada na indústria de óleo, gás natural e energia. A Cultura é também uma energia na qual a companhia investe, patrocinando há mais de 40 anos projetos que contribuem para a cultura brasileira e se fazem presentes em todos os Estados brasileiros.

Sobre a ZFilmes

Fundada em 1988, em Belém, desde 2004 dedica-se ao desenvolvimento de projetos audiovisuais. A principal atuação está na produção independente e autoral de curtas, médias e longas-metragens com temáticas voltadas à discussão e debate das problemáticas e as potencialidades da região Amazônica, foco principal da produtora. Realiza documentários, ficções, publicidades e oficinas de audiovisual. É a produtora oficial do Festival Pan-Amazônico de Cinema – Amazônia Fidoc, que propõe o intercâmbio e o diálogo das diversas “Amazônias” por meio da produção cinematográfica dos nove países que integram o território Pan-amazônico. Já produziu e co-produziu diversos formatos de curtas, médias e longas-metragens nacionais e internacionais. Dentre suas produções originais, estão o curta documental “Ervas e saberes da floresta” (2010/2012), premiado em Edital da Petrobras; o curta de ficção “Promessa em azul e branco” (2012/2013), premiado em Edital do MinC; o curta de ficção “O homem do Central Hotel” (2020), premiado em edital Carmen Santos/Minc e Prêmio de Melhor curta ficção no Festival Festin 3 en 1 em Lisboa – Portugal; o longa documentário e animação “Simplesmente Eneida”, que chega aos cinemas em 2026; e “Amazônia Ancestral”, série documental de oito episódios, que será lançada em 2026 pelo Canal CURTA!

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