Dia Nacional do Choro destaca jovens paraenses que renovam tradição musical no Pará
Novas gerações, com protagonismo feminino, mantêm vivo o legado do choro em Belém e no interior do estado
Celebrado em 23 de abril, o Dia Nacional do Choro homenageia Pixinguinha, referência histórica do gênero e um dos nomes mais importantes da música brasileira. Considerado o primeiro ritmo urbano do país, o choro segue vivo e em constante renovação no Pará, impulsionado por projetos culturais e por jovens músicos que mantêm acesa essa tradição.
No estado, o cenário do choro paraense ganha novos contornos com o protagonismo de mulheres instrumentistas, como Mariana Raiol e Eduarda Reis, além da continuidade do trabalho desenvolvido por músicos e educadores que atuam há décadas na formação de novos talentos.
Projeto Choro do Pará fortalece tradição musical há quase duas décadas
Um dos principais responsáveis pela difusão do gênero no estado é Paulinho Moura, músico e coordenador do projeto Choro do Pará, sediado na Casa das Artes, em Belém.
Criada em 2006, a iniciativa funciona como uma escola gratuita dedicada à música popular brasileira, oferecendo oficinas de instrumentos de corda, sopro e percussão para iniciantes e profissionais. O projeto também promove rodas de choro e apresentações da Orquestra Choro do Pará.
Segundo Paulinho Moura, o fortalecimento do gênero no estado passa diretamente pela formação de novos grupos e músicos.
“O gênero se torna importante no Pará a partir de vários processos, como uma casa dedicada a esse gênero e uma escola de moldes informais, o que fez surgir vários grupos”, afirma.
Paixão pelo choro começou ainda na infância
Paulinho relembra que o contato com o gênero começou cedo, ouvindo discos ao lado do pai. Mais tarde, ao ganhar o primeiro instrumento, aprofundou a relação com o estilo musical.
“O papai colocava discos de choro e aquilo ficou marcado em mim. Depois, quando comecei a tocar violão, fui me interessando ainda mais”, conta.
Esse processo de transmissão entre gerações é um dos fatores que ajudam a manter o legado do choro vivo até hoje.
Jovens musicistas renovam o choro no Pará
Entre os nomes da nova geração estão Mariana Raiol, de 20 anos, e Eduarda Reis, de 18, integrantes do grupo Choro com Café, de Mosqueiro, distrito de Belém.
As duas representam o crescimento feminino dentro de um gênero historicamente dominado por homens, mostrando como o choro no Pará se moderniza sem perder suas raízes.
Mariana Raiol encontrou no bandolim sua identidade musical
Bandolinista, Mariana passou por diferentes instrumentos antes de encontrar no bandolim sua principal forma de expressão.
Ela conheceu o choro durante aulas de violão popular e, desde então, aprofundou os estudos no repertório clássico do gênero.
“Acredito que a nova geração enxergue esse patrimônio como uma riqueza histórica. O choro é vivo, desafiador e pulsante”, afirma.
Para Mariana, a complexidade técnica do estilo também funciona como motivação constante para evoluir musicalmente.
Eduarda Reis aposta no violão de 7 cordas
Já Eduarda Reis encontrou no violão de 7 cordas sua conexão com o choro. O instrumento é conhecido pelas chamadas “baixarias”, contrapontos graves que enriquecem a harmonia e são marca registrada do gênero.
“Escolhi o violão de 7 cordas porque sempre achei bonita a sonoridade dele e me interessei pelos fraseados do choro”, destaca.
Ela também sonha em levar a música paraense para outros estados e países.
“Quero mostrar como o choro é pouco valorizado, embora seja um dos gêneros mais bonitos da música brasileira.”
Choro segue vivo e em transformação
A celebração do Dia Nacional do Choro reforça que o gênero segue relevante, atravessando gerações e conquistando novos espaços no Pará. Com iniciativas de formação musical e o talento de jovens artistas, o estado contribui para manter viva uma das expressões culturais mais importantes do Brasil.
Foto: Thiago Gomes