O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, neste sábado (18), o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. A declaração foi feita durante discurso no Fórum Democracia Sempre, realizado em Barcelona, na Espanha, poucos dias após o envio de um projeto ao Congresso Nacional que propõe mudanças na jornada de trabalho.
Segundo Lula, os avanços tecnológicos e o aumento da produtividade precisam beneficiar também os trabalhadores de menor renda.
Lula critica concentração dos ganhos de produtividade
Durante a fala, o presidente afirmou que os ganhos econômicos têm sido concentrados entre os mais ricos, enquanto os trabalhadores não recebem os mesmos benefícios.
“No Brasil, nós estamos discutindo o fim da jornada 6×1. Porque me parece que os ganhos tecnológicos, a sofisticação da produção, só vale o rico. Para o pobre, não vale nada”, declarou.
O presidente destacou que é necessário garantir melhores condições de trabalho como forma de ampliar o alcance do progresso social.
Proposta prevê redução da jornada para 40 horas
O projeto enviado pelo governo federal ao Congresso propõe a redução da carga semanal de trabalho de 44 para 40 horas. A medida também prevê dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.
Caso seja aprovada, a escala passaria de seis dias de trabalho para um de descanso (6×1) para cinco dias trabalhados e dois dias de folga.
A proposta tem apoio popular, mas enfrenta resistência de setores empresariais.
Discurso aborda democracia e cenário internacional
No evento, que reúne lideranças de diversos países, Lula também abordou a importância de fortalecer a democracia. Segundo ele, a falta de respostas às demandas da população tem impactado a credibilidade dos regimes democráticos.
“A democracia está perdendo credibilidade porque, muitas vezes, ela não deu resposta aos anseios da sociedade”, afirmou.
O Fórum Democracia Sempre reúne representantes de países como Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. Durante o encontro, o presidente brasileiro também discursou sobre conflitos internacionais e defendeu o fortalecimento do multilateralismo.