Pesquisa aponta dificuldade no acesso a diagnóstico de autismo

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Um levantamento nacional divulgado nesta quinta-feira (9) aponta que o acesso ao diagnóstico e às terapias para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) ainda é limitado no Brasil. Os dados fazem parte do estudo Mapa Autismo Brasil (MAB), elaborado pelo Instituto Autismos, que traça o primeiro perfil sociodemográfico da população autista no país.

A pesquisa reuniu 23.632 entrevistas online realizadas entre março e julho de 2025, com participação de pessoas autistas e cuidadores em todos os estados. O objetivo foi identificar características desse público e avaliar o acesso a serviços de saúde, educação e assistência.

Os resultados mostram que apenas 20,4% dos entrevistados confirmaram o diagnóstico de TEA pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto a maioria recorre à rede privada ou a planos de saúde.

Acesso a terapias ainda é limitado

O estudo indica que somente 15,5% dos participantes realizam terapias pela rede pública. Em contrapartida, mais de 60% informaram utilizar planos de saúde ou custear os atendimentos de forma particular.

Além disso, a carga horária semanal de terapias está abaixo do recomendado internacionalmente. Segundo o levantamento, 56,5% das pessoas autistas fazem até duas horas semanais de acompanhamento, o que, na avaliação do Instituto Autismos, está aquém do ideal para intervenções mais efetivas.

Entre as terapias mais comuns estão:

  • Psicoterapia (52,2%);
  • Terapia ocupacional (39,4%);
  • Fonoaudiologia (38,9%);
  • Psicopedagogia (30,8%);
  • Terapia comportamental (ABA) (29,8%).

Ainda assim, 16,4% dos entrevistados afirmaram não realizar nenhum tipo de terapia.

Diagnóstico ainda enfrenta desafios

O estudo também aponta dificuldades no acesso ao diagnóstico, além de atrasos em parte dos casos. Embora 51,7% dos diagnósticos ocorram até os 4 anos de idade, ainda há registros em idades mais avançadas, o que eleva a média para 11 anos.

Outro dado relevante é que os primeiros sinais do transtorno são percebidos, na maioria das vezes, por familiares (55,9%) ou pela própria pessoa autista (11,4%). Médicos e professores são responsáveis por identificar esses sinais em menor proporção.

Os diagnósticos são feitos principalmente por especialistas, como neurologistas e neuropediatras (67%), seguidos por psiquiatras (22,9%), o que evidencia a necessidade de acesso a profissionais especializados.

Perfil das pessoas autistas no Brasil

A pesquisa também traçou um panorama do perfil dos participantes. Entre os principais dados:

  • 65,3% são homens e 34,2% mulheres;
  • 72,1% têm até 17 anos;
  • 60,8% se declaram brancos, 32% pardos e 5,2% pretos;
  • 53,7% possuem nível 1 de suporte;
  • 51,5% apresentam TDAH como comorbidade.

Entre os responsáveis, 96% são pais ou mães, sendo a maioria mulheres (92,4%). O levantamento também aponta impacto econômico, com 30,47% dos cuidadores sem renda ou desempregados.

Educação e inclusão ainda são desafios

Na área educacional, 83,7% das pessoas autistas frequentam instituições de ensino, sendo a maioria em escolas públicas. No entanto, 39,9% afirmaram não receber nenhum tipo de apoio especializado.

Entre os recursos disponíveis, destacam-se:

  • Educador ou monitor (23,8%);
  • Acompanhamento especializado (18,8%);
  • Adaptações pedagógicas (18,8%);
  • Sala de recursos (18,1%).

Segundo o Instituto Autismos, os dados indicam que a presença na escola não garante inclusão efetiva, apontando falhas na implementação de políticas públicas.

Dados reforçam necessidade de políticas públicas

O levantamento complementa dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que estimou 2,4 milhões de pessoas com TEA no Brasil, o equivalente a 1,2% da população.

Para o Instituto Autismos, os resultados evidenciam a necessidade de ampliar o acesso a diagnóstico precoce, terapias e políticas de inclusão, além de fortalecer a rede pública de atendimento em todo o país.

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