A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado aprovou, nesta terça-feira (31), a convocação dos ex-governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, além do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
As convocações foram aprovadas após os três não atenderem aos convites feitos anteriormente pela comissão. Com a decisão, eles passam a ser obrigados a prestar depoimento.
Convocações miram esclarecimentos sobre relações financeiras
Autor dos requerimentos, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que o depoimento de Ibaneis Rocha é considerado essencial para esclarecer possíveis relações comerciais entre o escritório de advocacia do ex-governador e entidades investigadas pela Polícia Federal.
Segundo o parlamentar, há informações preliminares de que o escritório teria mantido contratos com instituições ligadas ao Grupo Reag Investimentos e ao Banco Master, além de ter recebido transferências financeiras consideradas atípicas do Grupo J&F.
Vieira também citou decisões do governo do Distrito Federal envolvendo negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, que incluem a aquisição de créditos avaliados em R$ 12,2 bilhões.
Rio de Janeiro é foco de análise sobre crime organizado
No caso de Cláudio Castro, o senador destacou que o depoimento pode contribuir para compreender o cenário do crime organizado no Rio de Janeiro.
De acordo com o relator da CPI, o estado passou por mudanças no perfil das organizações criminosas, com a aproximação entre facções do narcotráfico e grupos milicianos.
“Observou-se uma mutação nesse cenário, com a formação de uma dinâmica conhecida como narcomilícia”, afirmou Vieira ao justificar a convocação.
Campos Neto será ouvido como testemunha
A comissão também aprovou a convocação de Roberto Campos Neto, que presidiu o Banco Central entre 2019 e janeiro de 2025. Ele será ouvido na condição de testemunha.
Segundo Alessandro Vieira, a participação do ex-presidente pode contribuir com informações sobre procedimentos e práticas institucionais do sistema financeiro, relevantes para as investigações.
Além das convocações, os senadores aprovaram pedidos de quebra de sigilo de pessoas físicas e jurídicas, ajustados às exigências recentes do Supremo Tribunal Federal (STF).