Jardins de chuva são instalados para reduzir alagamentos em Belém; veja como funcionam
Belém começou a receber jardins de chuva urbanos como estratégia para enfrentar alagamentos em áreas críticas da capital. As estruturas integram o conjunto de soluções baseadas na natureza (SbN) e seguem o conceito de “cidade-esponja”, que prevê intervenções capazes de absorver e infiltrar a água da chuva no solo.
A implantação ocorre em pontos estratégicos da cidade e busca reduzir o escoamento superficial — uma das principais causas de enchentes em áreas impermeabilizadas. Além de contribuir para a drenagem, a proposta também prevê ganhos ambientais, sociais e paisagísticos.
Como funcionam os jardins de chuva
Os jardins de chuva são instalados em locais antes impermeabilizados, como calçadas e trechos de ruas. Nesses espaços, a água da chuva é direcionada para áreas verdes preparadas com substratos drenantes.
O sistema permite que a água seja absorvida gradualmente pelo solo, reduzindo a sobrecarga na rede pública de drenagem e filtrando sedimentos e poluentes antes que cheguem aos canais urbanos.
As intervenções contam com pontos de entrada e saída protegidos por pedras e cobertura com serrapilheira, que protege o solo. Quando necessário, os jardins são integrados à drenagem urbana existente, mas não substituem obras estruturais de saneamento.
Onde os jardins estão sendo implantados
As primeiras intervenções ocorrem nos seguintes locais:
- Rua dos Mundurucus, esquina com a travessa Quintino Bocaiúva.
- Avenida Marechal Hermes, ao lado do Porto Futuro.
- Travessa Rui Barbosa, esquina com a avenida Gentil Bittencourt, lado do Centur.
- Travessa Quintino Bocaiúva, esquina com a avenida Conselheiro Furtado, próximo à Semma.
Outras medidas de drenagem sustentável
O projeto também inclui outras estruturas complementares:
- Canteiros pluviais e biovaletas, que ajudam a direcionar e filtrar a água da chuva;
- Bacias de retenção, reservatórios temporários que armazenam água em períodos de chuva intensa e liberam gradualmente;
- Bacias de infiltração</strong>, que devolvem a água ao solo e contribuem para a recarga do lençol freático;
- Poços de infiltração, indicados para áreas com pouco espaço, direcionando o fluxo para camadas porosas do subsolo.
Benefícios esperados para a cidade
Entre os resultados projetados com a adoção das soluções baseadas na natureza estão:
- Redução de alagamentos e enchentes;
- Melhoria da qualidade da água nos canais urbanos;
- Criação de novos espaços verdes e aumento do conforto térmico;
- Ampliação da biodiversidade, com plantio de espécies nativas adaptadas a períodos de seca e alagamento, como helicônia, cana-da-índia, tajá, inhame, petúnias selvagens e grama-amendoim;
- Estímulo à educação ambiental e à participação comunitária na manutenção dos espaços.
A iniciativa é coordenada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e envolve ainda a Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel), responsável pela limpeza e manutenção das áreas revitalizadas, além das Secretarias Municipal de Obras e Infraestrutura (Seinfra) e de Estado de Obras Públicas (Seop), que atuam na definição dos pontos estratégicos.
O projeto segue normas técnicas reconhecidas, como o Guia Prático de Jardins de Chuva para Cidades e o Catálogo de Soluções Baseadas na Natureza, e prevê a criação de uma portaria municipal para consolidar as práticas como política pública de drenagem sustentável.
O conceito de “cidade-esponja”
Inspirado no modelo desenvolvido pelo arquiteto chinês Kongjian Yu, o conceito de “cidade-esponja” combina parques alagáveis, telhados verdes, calçamentos permeáveis e praças-piscina.
Essas soluções permitem que áreas urbanas funcionem como reservatórios temporários durante chuvas intensas, sem perder a função de lazer em períodos secos. A proposta também pode ser replicada em outros bairros de Belém, ampliando a infraestrutura verde adaptada às mudanças climáticas.