Destituição presidente Peru: Congresso do Peru remove José Jerí após quatro meses no poder

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O Congresso do Peru aprovou nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, a destituição do presidente José Jerí, marcando mais um episódio de instabilidade política no Peru e prolongando a crise institucional no país andino. A votação ocorreu por câmara extraordinária em Lima e resultou na saída de Jerí do cargo após apenas quatro meses de mandato.


Votação no Congresso do Peru aprova destituição de José Jerí

A censura ao presidente Peruano José Jerí foi aprovada com 75 votos a favor, 24 contra e 3 abstenções, em um processo conduzido pela bancada parlamentar. A medida destituiu Jerí por meio de um mecanismo de censura aplicado pelo Congresso do Peru, intensificando o padrão de mudanças frequentes de chefe de Estado no país.

José Jerí, que assumiu a Presidência em outubro de 2025 após a destituição de Dina Boluarte, enfrentou prolongadas críticas à sua gestão e acusações de influência indevida e falta de transparência em encontros não divulgados com empresários chineses, episódio apelidado de “Chifagate”.


Crise política no Peru e sucessão de presidentes

A destituição de José Jerí insere-se em um contexto de crise política no Peru, que desde 2018 já teve diversos presidentes removidos ou impedidos de concluir seus mandatos. O país se aproxima de sua oitava liderança em uma década, reflexo do uso recorrente de mecanismos de censura e de alta insatisfação popular com a classe política.

Jerí assumiu como presidente interino após a saída de Dina Boluarte, que também foi destituída por decisão do Parlamento em outubro de 2025. A sucessão interina agora depende de uma nova eleição interna no Congresso do Peru, que escolherá um novo líder até as eleições gerais marcadas para 12 de abril de 2026.


Acusações e escândalos que levaram à destituição de José Jerí

A aprovação da moção de censura contra José Jerí foi motivada por alegações de corrupção, falta de transparência e encontros não oficiais com empresários que possuem interesses comerciais no país. O processo fez parte de uma série de investigações e fez crescer o descontentamento entre deputados, mesmo diante da negativa do presidente sobre irregularidades.

O chamado “Chifagate” envolveu encontros noturnos com figuras empresariais chinesas que não constavam na agenda oficial, alimentando suspeitas de condutas impróprias fora dos canais formais de governo.


Consequências imediatas e próximos passos

Com a saída de José Jerí da presidência, o Congresso do Peru deve eleger um novo presidente interino para governar até a posse do próximo chefe de Estado eleito em abril. A destituição ocorre em meio a um cenário de forte instabilidade política e institucional e poucas perspectivas imediatas de consenso político no país.

Analistas locais destacam que a continuidade de sucessões rápidas no comando do Executivo dificulta a implementação de políticas de longo prazo e agrava a percepção de fragilidade das instituições democráticas peruanas.

Foto: Reuters

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