Presidente Lula inaugura Museu das Amazônias na sede da COP-30

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Agência Museu Goeldi – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, inaugurou, oficialmente, o Museu das Amazônias (MAZ), no final da manhã desta sexta-feira (03), em Belém. O espaço cultural contou com a parceria do Museu Paraense Emílio Goeldi e do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG) para ser implementado. A agenda presidencial fez parte do conjunto de entregas em apoio à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-30), que será realizada em novembro, na capital paraense.

A cerimônia contou com a presença de autoridades de Estado, como o governador Helder Barbalho, as ministras da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; da Cultura, Margareth Menezes; e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva; além dos parceiros de criação do MAZ. Sem pronunciamento, o presidente Lula seguiu para conhecer as duas exposições do museu e os demais serviços do complexo Porto Futuro II, às margens da Baía do Guajará. Ele está na cidade desde o dia 2.

“É uma honra imensa estar aqui hoje, há cerca de dois anos desde a idealização deste espaço”, afirmou o diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, convidado pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, a integrar a equipe protagonista do processo de concepção do equipamento.

“O Goeldi é o mais importante museu sobre a diversidade da fauna, da flora, sobre a história da Amazônia. Tem muito especialista em igarapé que nunca viu uma pororoca. Temos que valorizar quem vive aqui, que sabe e constrói os saberes da vida na Amazônia”, justificou Mercadante, após o descerramento da placa de inauguração, destacando o valor de cada parceiro do projeto. O BNDES é também um dos financiadores do MAZ e aplicou, no total, cerca de um bilhão e meio em uma série de obras na cidade, por ocasião da COP-30.

Gabas complementa que “a presença do Museu Goeldi tem o sentido de contribuir para que temáticas complexas sobre a Amazônia sejam apresentadas ao público, sobretudo, o público de fora do estado. É preciso compreender a Amazônia em sua pluralidade, pelos diferentes biomas, pelas diferentes culturas. Temos a capacidade de mostrar isso por meio da ciência dos povos tradicionais e da ciência ocidental”. O Museu Goeldi completa 159 anos de fundação no próximo dia 6 de outubro.

Para a implementação do MAZ, foram definidos eixos como a Amazônia costeira e marinha; as florestas amazônicas e de manguezais; os territórios e maretórios amazônicos; a Amazônia das águas; a Amazônia indígena e negra, além de perspectivas culturais e simbólicas, como as estéticas amazônicas, a Amazônia em verso e prosa, as cosmologias amazônicas, as culturas alimentares, as visualidades, sonoridades e corporeidades amazônicas, as tecnologias amazônicas e a Amazônia urbana.

Além do alinhamento sobre os aspectos a serem levados em conta no plano museológico do MAZ, o Museu Goeldi foi decisivo nas etapas de escutas junto a 60 instituições da Pan-Amazônia, território composto por nove países (Brasil, Peru, Colômbia, Bolívia, Equador, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname), sendo o Brasil o que comporta 60% da Floresta Amazônica.

“Somos um instituto de pesquisa que pertence ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Nós temos coordenações de pesquisa, realizamos pesquisas, temos sete cursos de pós-graduação. Essa montanha que é o Museu Goeldi, às vésperas de completar 159 anos, é algo que se solidifica e se complementa com o Museu das Amazônias”, descreve o diretor.

Ele lembra que o Museu Goeldi contribuiu com o processo de implementação do MAZ por meio do Comitê Interno de profissionais da instituição formado para acompanhar o Acordo de Cooperação Técnico assinado junto ao Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), parceiro desta etapa.

Além disso, uma das pesquisadoras vinculadas à área de Arqueologia da instituição, a professora Helena Lima, é uma das três curadoras da exposição Ajuri, que o público poderá conferir, gratuitamente, até fevereiro de 2026, junto com a mostra “Amazônia”, de Sebastião Salgado.

“Não é trivial pegar uma grande ideia, desde o começo do trabalho, e realizá-la. Mas a gente partiu para o projeto ouvindo, escutando, e isso faz toda a diferença. E juntamos essas escutas com as sabedorias que o Gabas oportunizou, com o Museu Goeldi”, explicou Ricardo Piquet, presidente do IDG.

Exposições

O MAZ é inaugurado com duas exposições: “Ajuri” e “Amazônia”. Ajuri reúne instalações de artistas do Norte e de outros estados do Brasil, em linguagens que incluem pintura, fotografia, vídeo, escultura e experiências imersivas.

Participam da mostra artistas amazônidas, como Carina Horopakó (AM), Evna Moura (PA), Karla Martins (AC), Paulo Desana (AM), PV Dias (PA), Roberta Carvalho (PA), Valdeli Costa (PA) e Will Love (PA), ao lado de Estêvão Ciavatta Pantoja (RJ), Gabriel Kozlowski (SP) e Wesley Lee (SP).

A comissão curatorial é integrada pela antropóloga, fotógrafa, cineasta e pesquisadora do povo Baniwa, Francy Baniwa; a ecóloga da Embrapa Amazônia Oriental, Joice Ferreira; e a arqueóloga do Museu Goeldi, Helena Lima.

Já na mostra “Amazônia”, do fotógrafo mineiro Sebastião Salgado (1944-2025), os visitantes encontrarão mais de 200 fotografias em preto e branco, resultado de sete anos de expedições do artista pela região. Quase 20 cidades da Ásia, Europa, América do Norte e Brasil já receberam a exposição sob a curadoria de Lélia Wanick Salgado. Esta é a maior das exposições do artista e a primeira dele na Amazônia, ganhando ainda o caráter de homenagem ao artista falecido em maio.

 O MAZ

A realização do Museu das Amazônias se dá por meio da parceria entre Governo do Pará, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Instituto Cultural Vale (ICV), do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do IDG e do Museu Goeldi, que integram o Comitê Executivo responsável por estabelecer as diretrizes de comunicação, programação e sustentabilidade financeira do espaço cultural.

O Museu das Amazônias (MAZ) está localizado no Complexo Porto Futuro II – Armazém 4ª, no bairro do Reduto, em Belém (PA). Abrirá ao público neste sábado com horário especial das 10h às 20h. A partir do domingo, dia 5, o horário de funcionamento será de 10h às 18h (com última entrada às 17h), todos os dias, com exceção das quartas-feiras, quando ficará fechado para manutenção. A entrada é gratuita até fevereiro de 2026.

 Texto: Erika Morhy

Fonte: Gov.Br/Foto: Ricardo Stuckert/PR

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